AMÉRICO PERIN
Não é novidade em nosso país a crise econômica e política por que passamos atualmente. De forma mais velada ou não, desde sempre aprendemos a conviver com esse estado de coisas. A corrupção dentro do governo e os gastos com luxo retiraram recursos para os investimentos nas diversas áreas em que o governo deveria atuar, exercendo seu papel previsto inclusive pela nossa Constituição.
A corrupção ativa e passiva sempre existiu e não é privilégio dos brasileiros, mas parece que nós a aperfeiçoamos. Ela existe desde longe e sequer os historiadores conseguem definir uma data ou local preciso para seu nascimento.
Lamentavelmente aqui se conviveu muito tempo passivamente com essa aberração. Tempo demais! A corrupção tornou-se uma prática tão comum por aqui que é praxe até o porteiro receber sua “comissão” na compra de um tapete para a porta do prédio.
O amor pelo dinheiro e pela vida fácil faz com que certos cargos ou funções sejam fortemente perseguidos pelos “expertos do reino” que até bem pouco tempo viviam felizes e tranquilos pela impunidade que parece agora estar chegando ao fim.
Faltou competência para os governantes que detiveram o poder nos tempos mais recentes. Tiveram o apoio do povo, das forças armadas e até da própria classe política. E mesmo assim conseguiram afundar o país na, talvez, maior crise financeira e política de sua história.
Agora, em nome da legalidade, leva-se o país em lenta agonia para não se sabe onde. Nossos trabalhadores tomados pelo temor do desemprego estão sendo deixados à própria sorte tendo que dar conta dos compromissos assumidos e hoje impossíveis de serem saldados. Nossos estudantes enganados por um sistema perverso que lhes dá um ensino de baixa qualidade e no futuro estarão endividados por financiamentos que terão de ser quitados por profissionais malformados e por isso rejeitados no mercado de trabalho. Nossos doentes morrem à míngua em hospitais desprovidos de condições materiais e humanas para um bom atendimento.
A realidade visível ganhou espaço nas ruas e o povo clama para que se dê um basta em tudo isso. Chicanas, artifícios e tudo mais que pertence ao arsenal dos “expertos” já não estão convencendo ninguém, se é que convenciam.
Concluindo, lembro que “ninguém é tão tolo ao ponto de pensar que os outros também o sejam”, contudo, nossa classe política teima em me desmentir...
- Novamente, estão chegando as eleições. Vamos começar por elas?
