BETO BELLINI

21/07/2026

O novo tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros é mais do que uma medida comercial. Trata-se de uma decisão que combina economia, estratégia política e pressão diplomática, produzindo efeitos dos dois lados da mesa.

Embora o anúncio tenha causado forte repercussão, nem todos os produtos brasileiros foram atingidos. Diversos alimentos e itens considerados estratégicos para o mercado norte-americano ficaram de fora das novas tarifas. A razão é simples: taxá-los elevaria os preços para consumidores e empresas dos próprios Estados Unidos. Isso demonstra que, mesmo em uma política de confronto, há limites impostos pela realidade econômica.

Quem mais tende a perder é parte da indústria brasileira, especialmente setores exportadores que passam a enfrentar custos maiores e menor competitividade no mercado americano. Também perde o ambiente de negócios, que se torna mais instável para empresários e investidores.

Do lado americano, alguns fabricantes ganham proteção contra a concorrência estrangeira, mas o consumidor pode acabar pagando mais caro por determinados produtos. Em guerras comerciais, raramente existem vencedores absolutos.

O episódio também revela um componente político evidente. Trump transformou as tarifas em uma ferramenta recorrente de sua política externa, utilizando o comércio como instrumento de pressão sobre outros países. Mais recentemente, seu estilo de atuação também foi alvo de críticas por buscar influenciar debates e decisões que extrapolam o campo econômico, inclusive envolvendo instituições esportivas internacionais, como no caso da expulsão de um jogador dos EUA na Copa do Mundo, reforçando a imagem de um governo arbitrário, disposto a ampliar sua influência sobre diferentes esferas públicas.

No Brasil, a resposta também tende a ser política. O governo defende a soberania nacional e estuda medidas de reação, enquanto a oposição atribui parte da responsabilidade à condução da política externa brasileira. Assim, uma disputa comercial acaba alimentando a polarização existente nos dois países.

O comércio internacional sempre foi um espaço de negociação e interesses. Quando tarifas passam a ser utilizadas como instrumento de pressão política, aumenta a insegurança para empresas, trabalhadores e investidores. No fim, o prejuízo costuma ser coletivo.

A história demonstra que barreiras comerciais podem produzir ganhos pontuais para alguns setores, mas dificilmente geram prosperidade duradoura. O diálogo e a previsibilidade continuam sendo os caminhos mais seguros para preservar relações econômicas que beneficiam ambos os lados.

Quem insiste em tratar apenas no âmbito das questões partidárias, trabalha contra o próprio país. Infelizmente.

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.