CRISTIANE FRAMARTINO BEZERRA

23/02/2026

A bem da verdade, eu não consigo nem quantificar os livros que li ao longo da vida. Praticamente tudo o que pude ou que me caiu às mãos eu li. Restam ainda dezenas de preciosos escritos de amigos e amigas, mas, desde o “Caminho Suave”, minha cartilha do primeiro ano de grupo, jamais parei. Atravessei o “Círculo do Livro”, tão bem aproveitado pela assinatura da minha irmã e leitora voraz Rosa, que mensalmente nos apresentava títulos diferentes, os livros do Luiz, Marcela, irmãos mais velhos, os do meu próprio pai, que sempre que tinha alguma feira de livro espírita no Centro de Ribeirão, mesmo sem ser adepto da doutrina, fazia questão de comprar livros infantis pra gente e alguns pra ele... Assim, fui me tornando leitora. Ávida, interminável. De gramáticas e dicionários a leituras mais complicadas pra minha idade, como Sidney Sheldon ou Agatha Christie. Depois, vieram os cursos bíblicos. Aí a coisa complicou um pouco. Entender o Antigo Testamento nem sempre foi muito fácil. Especialmente as tantas “famílias” e descendências...

Com o tempo, cheguei à História e, tempos depois, aos fascinantes estudos sobre Religiões. Especialmente as Monoteístas, como Judaísmo, Islamismo, Cristianismo. Muita semelhança, algumas diferenças, mas uma busca sem fim pelo encontro pessoal mais libertador e o encontro com o Criador de tudo e de todos... De todas as passagens e figuras extremamente ilustres, cada um com sua preciosa contribuição à minha vida e estudos, creio que o mais fascinante pra mim foi e é Jesus. Seu jeito simples, afetuoso, olhando para além do que as aparências demonstravam, com uma tocante compaixão por cada ser humano que dele se aproximava... E depois o que ensinou e transmitiu a discípulos e apóstolos, como foi o caso de Paulo, que se tornou em um dos mais radicais evangelizadores do Cristianismo e foi enviando suas cartas e pregações por onde pôde.

Uma destas passagens do Novo Testamento com a qual fiquei muito impactada é a que nos convida para além de não fazermos aos outros o que não queremos que nos façam. Uma pregação de Paulo aos Romanos, se não me engano, sugerindo, como modelo do próprio Cristo, “sorrir com os que sorriem, chorar com os que choram”. Muito me debrucei sobre esta frase, que, em princípio, parece tão fácil de ser colocada em prática... Lembro que uma vez ouvi de uma grande Teóloga e Fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, a respeito desta colocação, de que, se estivermos andando por uma rua e encontrarmos uma amiga muito triste, chorando, contando algo doloroso, devemos manifestar toda a nossa solidariedade, acolhê-la como pudermos, mas ao seguirmos adiante, se encontrarmos outra pessoa muito feliz, exultante por algo bom que tenha lhe acontecido, que celebremos aquele momento, sem contar ou fazê-la se contagiar pela dor da outra que havíamos encontrado. Pensei que realmente era uma tarefa das mais fortes e desafiadoras. Pelo menos para mim, a tendência de compartilhar os momentos, situações, dores e alegrias, era grande. Nem sempre consegui este equilíbrio, mas tenho procurado.

O que me trouxe a este texto e todas estas colocações foi exatamente a quantidade de informações que recebemos diariamente e das pessoas com as quais convivemos. Com isso, parece que celebrar algo muito bom dura pouco. Na semana passada, a alegria que senti pelo pai acolher e abraçar seus filhos que deixaram o carro descer a um barranco numa brincadeira que poderia ter lesionado gravemente um dos dois ou os dois, foi substituída pela dor imensa de ver outro pai tirar a vida de seus dois filhos e a própria vida, numa ação de desespero, dor, raiva, mágoa, vingança. Tenha o nome que tiver, será sempre uma atrocidade sem tamanho com todos os que ficaram.

Ribeirão Preto e nossa região, infelizmente, estão na rota de notícias tristes, daquelas que ninguém gostaria de noticiar... Padrasto matando a enteada por ciúme, avô que deveria proteger sua pequena netinha, mas a deixou à mercê de agressões de sua companheira e não se sabe ainda se dele mesmo... Histórias que eu sei, ninguém gostaria de noticiar. E como não comentar com outras pessoas a respeito, talvez na intenção de evitar que voltem a ocorrer, talvez como desabafo. O que sei é que estamos compartilhando de dores nestes dias muito fortes. Que possamos, acima de tudo, procurar emanar nossos melhores pensamentos, nossas melhores intenções de paz ao redor, consciência às mentes, porque ficarmos destilando ainda mais raiva, desejando o pior possível a quem faz o mal, acaba nos igualando a energias muito densas e ruins. Peçamos serenidade e sabedoria aos grandes Mestres de todos os tempos. Peçamos entendimento e força, para que em breve possamos ter determinados assuntos restritos a livros de ficção e não nos relatos diários das nossas existências.

Muito Amor e Luz pra Você!

 

Cristiane Framartino Bezerra

Historiadora de Religiões, Escritora, Cerimonialista, Celebrante, Produtora Cultural, Angelóloga

Atendimento Angélico: 16 999941696 ou Instagram: @crisbezerr