CRISTIANE FRAMARTINO BEZERRA

17/08/2026

Há um velho ditado indígena que ensina que, quando não nos comprometemos com o que dizemos, ou quando não solucionamos nossas pendências, ficamos presos, como se nossos pés estivessem amarrados, nos impedindo de seguir para os caminhos que temos a trilhar.

Não é uma questão de julgamentos, mas de vivência prática mesmo. Eu já tive os meus momentos de crise financeira, de ficar com dívidas em cartões de crédito e bancos. Muita facilidade de crédito pode ser sempre uma perdição depois, porque a conta chega e, muitas vezes, não fecha como a gente esperava. Mas, nestes momentos difíceis que passei, acabei aprendendo, como dizem os antigos que “dinheiro não aceita desaforo”. As dívidas também não. É muito importante que, num determinado momento, a gente pare absolutamente tudo, coloque tudo num papel e comece a negociar o que for possível e, principalmente, pagar quem a gente deve. Honrando os compromissos assumidos, vamos conseguindo abrir novas possibilidades e caminhos à frente.

Há uma historinha japonesa que ilustra bem o que muitas vezes acabamos fazendo nas nossas vidas... “O Samurai mais antigo da dinastia estava cansado e desejava se aposentar. Então, o Conselho dos Samurais reuniu todos os possíveis candidatos a Samurai Chefe num grande salão do palácio imperial e, diante de todos, o Velho Samurai mandou que trouxessem dois dos vasos mais preciosos do reino, com as plantas mais raras do mundo. Todos olharam admirados. Era quase impossível àqueles homens ficarem diante de tanta beleza, com suas vidas de lutas, viagens e guerras. Quando todos silenciaram, o Samurai se dirigiu a todos e apresentou, olhando em direção aos vasos e as flores... ‘Eis o problema! Aquele que o solucionar será o maior dentre todos os Samurais do reino’. Imediatamente, todos se entreolharam. Alguns se aproximaram, passaram delicadamente suas mãos nas flores, alisaram com carinho os vasos sobre aquela mesa... Ninguém chegava à conclusão de como aqueles vasos e aquelas flores belíssimas pudessem representar algum tipo de problema. Mas eis que, de repente, do meio de todos aqueles samurais, saiu um jovem de baixa estatura, bramindo sua espada, cortou as flores e jogou os vasos no chão, deixando-os em pequenos cacos... Todos ficaram assombrados! Que louco! Com certeza, será preso ou até morto por tamanho desrespeito, disseram alguns! Que tragédia, comentavam outros. Depois de todo burburinho provocado pela atitude daquele samurai, o Samurai mais antigo pediu silêncio e anunciou que aquele homem seria, a partir daquele momento, o Maior Samurai do reino, responsável por todos os Samurais. Diante da indignação de todos, ele explicou: ‘Eu disse a vocês que os vasos preciosos com suas flores raras eram o problema a ser solucionado. Alguns de vocês alisaram o problema, cheiraram o problema, trataram com carinho e reverência. Porém, um problema é sempre um problema e pede ação e energia. Foi exatamente o que este jovem samurai fez. Acabou com o problema! Por isto, merece a posição que vai ocupar neste reino de agora em diante!’.

Sempre lembro desta história quando me vejo diante de desafios e eles me deixam em dúvida de como agir. Por vezes, nossa ação tem que ser rápida e eficaz. Não adular o problema ou aumentar sua proporção, mas solucionar, erradicar, soltar as amarras para poder voltar a voar. Vejo gente que vai acumulando novas dívidas, envolvendo outras pessoas e aumentando ainda mais o volume de comprometimento, deixando um rastro de problemas para trás. Chega um momento em que precisamos agir com lucidez e consciência. Para podermos erradicar preocupações e angústias, seguindo a vida com mais leveza e paz!

Muito Amor e Luz pra Você!

 

Cristiane Framartino Bezerra

Historiadora de Religiões, Escritora, Cerimonialista, Celebrante, Produtora Cultural, Angelóloga, Ativista Política, Cultural, Social, Humanitária.

Atendimento Angélico: 16 999941696 ou Instagram: @crisbezerrarp