AMÉRICO PERIN

09/02/2026

Algumas pessoas ainda não sabem, mas hoje em dia estuda-se, em cursos superiores, a Musicoterapia - arte/terapia -, que ensina usar a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) como ferramenta terapêutica para promover saúde física, mental, emocional e social. Esse curso combina teoria musical, psicologia, neurociência e prática clínica para formar profissionais capazes de aplicar a música em tratamentos e reabilitação.

A Neurociência usa como recursos terapêuticos a teoria musical, percepção sonora, prática instrumental e vocal. Até a própria improvisação entra nesse contexto...

Como base científica sobre o assunto, a Neurociência aplicada à música dá a percepção de como o cérebro reage aos sons, ajudando a psicologia e o desenvolvimento humano através das emoções e comportamento social.

Ainda como técnica de intervenção terapêutica, a música pode estimular a memória, concentração e expressão emocional. Existem inclusive métodos para recuperação física! Dependendo do caso, usam-se estratégias para trabalhar com diferentes públicos: crianças, idosos, pessoas com deficiência, pacientes hospitalizados, entre outros. Após o curso, o então aluno ainda passa por uma prática clínica supervisionada com estágio em hospitais.

O objetivo do formando é promover saúde e bem-estar através da música.

SÓ PRA CONTRARIAR, lembrei-me de uma crônica que fiz há uns 15 anos, época em que a produção artística participava do PIB brasileiro com 320 mil empresas voltadas para a produção cultural (na época, quase 6% do total de empresas no País). Empregavam formalmente cerca de 3,7 milhões de pessoas e eram responsáveis por 8,5% dos postos de trabalho, segundo levantamento feito pelo IBGE naquela época.

Para efeito de comparação, atualmente, a indústria cultural e criativa representa cerca de 3,6% do PIB brasileiro, o que equivale a aproximadamente R$ 393,3 bilhões em 2023, segundo o último levantamento da Firjan (Mapeamento da Indústria Criativa 2025).

A média salarial paga pelo setor é quase 44% superior à da nacional. Ainda assim, a área aguarda uma alavancagem das produções nacionais e a construção de espaços de lazer – atualmente, apenas 21% das cidades brasileiras contam com salas de teatro e apenas 9% possuem salas de cinema, segundo o instituto.

Não sou musicoterapeuta. Mas sou formado, também, em curso superior de Música. E juntando um pouco de tudo, mais os dados estatísticos colocados acima, mais a experiência ganha nos 20 anos de ensino e regência musical, mais meu tempo de músico em Orquestras e Bandas de Música, pude responder a uma simpática senhorita com quem tive o desprazer de dialogar em certa ocasião:

- Ah, disse ela, você é músico?! Mas trabalha com quê?...

A resposta pronta veio em seguida:

- De segunda a sexta feira, preparo seu lazer de fim de semana e feriados.

“E, só pra contrariar, eu não fiz amor com ela...”

 

P.S. A música "Só Pra Contrariar", sucesso do grupo de mesmo nome, foi composta por Alexandre Pires em parceria com Marquinhos Mosqueira.