BETO BELLINI
Setembro é o mês em que o Brasil se veste de amarelo para lembrar a importância da prevenção ao suicídio. Mais do que uma campanha de saúde mental, o Setembro Amarelo é um convite à reflexão sobre como tratamos uns aos outros, especialmente em um momento em que a sociedade parece cada vez mais dividida.
A empatia, palavra tantas vezes repetida e tão pouco praticada, é o fio que pode costurar relações mais humanas. Em vez de enxergar o outro como adversário, precisamos reconhecê-lo como alguém que carrega dores, histórias e fragilidades. Essa atitude simples pode salvar vidas — literalmente.
Infelizmente, o debate público tem se transformado em um campo de batalha. Pessoas brigam para defender políticos como se fossem ídolos, mesmo quando esses líderes estimulam violência e agressividade. O resultado é um ambiente tóxico, onde o diálogo cede espaço ao ataque e a solidariedade se perde em meio a insultos.
O dia 7 de setembro, tradicionalmente marcado pela celebração da independência, pode e deve ser ressignificado como um momento de união nacional. Essa data não pode ser apropriada por grupos políticos para destilar ódio e violência. Ao contrário, deve ser lembrada como um marco de liberdade e cidadania, em que o respeito às diferenças e a busca por convivência pacífica sejam os verdadeiros símbolos da independência.
O Setembro Amarelo nos lembra que cada palavra tem peso. Uma frase hostil pode aprofundar o sofrimento de quem já está vulnerável. Por outro lado, um gesto de compreensão pode ser a diferença entre o desespero e a esperança. É hora de deslocar nossas energias: menos disputas políticas, mais cuidado com quem está ao nosso lado.
Defender a vida exige coragem. E coragem, neste caso, significa abrir mão da agressividade para cultivar a escuta, o respeito e a compaixão. Que o amarelo deste mês ilumine não apenas a prevenção ao suicídio, mas também uma nova forma de convivência: menos ódio, mais humanidade.
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.
