Quando o ano desacelera, a consciência acelera

05/01/2026

Por Barbara Nogueira

 

 

O fim do ano traz uma pausa quase natural. Entre o Natal e o Réveillon, o ritmo desacelera, as agendas se esvaziam e a reflexão surge: o que fiz até aqui, o que quero mudar, para onde estou indo? Esse intervalo é estratégico. O mercado de trabalho mudou, e numa velocidade inédita.

Quem vive o dia a dia das organizações percebe transformações profundas, talvez maiores do que as dos cinquenta anos anteriores. A tecnologia sempre esteve presente, mas a Inteligência Artificial Generativa inaugura um novo capítulo. Já é realidade, e quem não acompanha corre o risco de ser substituído por profissionais mais preparados ou por máquinas.

Esse avanço não diminui o valor das pessoas. Se a tecnologia analisa dados e executa tarefas, o diferencial está na criatividade, no pensamento crítico e abstrato e na capacidade de gerar conexões. Seguimos indispensáveis por saber nos relacionar, comunicar, colaborar e construir confiança.

Ao mesmo tempo, essa humanidade nos torna vulneráveis. Corpo, mente e emoções não funcionam como máquinas. Negligenciar a saúde integral se tornou um dos grandes erros do nosso tempo. Crescem os casos de ansiedade, burnout e relações cada vez mais superficiais, inclusive dentro das empresas. Não por acaso, a nova NR-1, que entra em vigor em maio de 2026, coloca a saúde mental no centro das relações de trabalho. Não é apenas uma mudança regulatória, é um sinal claro de urgência. Sem autocuidado, não há desempenho sustentável.

Nesse cenário, protagonismo deixou de ser opcional. Zona de conforto pode parecer segura, mas se tornou arriscada. Crescer exige movimento que começa pelo autoconhecimento. Reflexão, feedbacks formais e informais, terapia, coaching e autoanálise deixaram de ser luxo e passaram a ser ferramentas de sobrevivência profissional. Existe uma verdade dura, mas real: nós valemos o que parecemos. Credibilidade não se constrói no discurso, mas na consistência do comportamento.

A liderança ganhou um novo significado: começa pelo autogerenciamento. Quem não assume suas escolhas permite que o mercado as faça. Felicidade no trabalho não é ausência de conflito, mas a chance de crescer, se desenvolver, se relacionar bem e gerar impacto real. Empresas emocionalmente saudáveis inovam mais e entregam melhores resultados, mesmo quando a inovação exige maturidade para lidar com tensões.

A era da contratação focada apenas em base técnica ficou para trás. Hoje, isso é ponto de partida; o diferencial está no comportamento. Contrata-se e demite-se por atitude, inteligência emocional e capacidade de adaptação. Aprender e reaprender tornou-se essencial, exigindo humildade para desaprender e disciplina para evoluir com rapidez.

O equilíbrio emocional tornou-se um ativo estratégico. Saber lidar com pressão, decidir sob estresse, receber feedback sem personalizar e focar em soluções são competências cada vez mais valorizadas. Onde há esse equilíbrio, há confiança: uma das moedas mais fortes do mercado atual. A comunicação também ganhou protagonismo: boas ideias só geram impacto quando expressas com clareza e consciência do outro.

O futuro não será decidido apenas por grandes movimentos ou mudanças bruscas. A inteligência artificial, o mercado e as circunstâncias estão fora do nosso controle. O que está sob nosso domínio é a forma como agimos, reagimos e evoluímos. O ano de 2026 começa agora, nas pequenas escolhas do dia a dia, nos ajustes de postura, no cuidado com a própria energia, no aprendizado contínuo e na intenção colocada em cada ação.

A grande conquista acontece no futuro, mas a construção é sempre no presente. Talvez a pergunta mais importante para este fim de ano seja simples e direta: qual micro atitude você começa amanhã para se aproximar da sua melhor versão de 2026? Não se trata de perfeição. Errar faz parte do processo. Destaque não acontece por acaso: é resultado de consistência, intenção e movimento consciente.

 

 

Jaqueline da Mata
Link Comunicação Empresarial

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