Podcast debate aumento da violência contra a mulher e falhas na aplicação da lei
Em entrevista ao podcast da Dra. Rita, a promotora de Justiça Marília Bononi falou sobre o crescimento dos casos de violência doméstica e feminicídio no Brasil, destacando a necessidade de maior conscientização social e efetividade na aplicação da lei.
Durante o programa, foram citados casos recentes que chocaram o país, incluindo situações em que vítimas haviam registrado diversos boletins de ocorrência antes de serem assassinadas. Os relatos reforçam o alerta de que mulheres continuam morrendo mesmo após buscarem ajuda.
Lei é forte, mas precisa ser cumprida
A promotora ressaltou que a Lei Maria da Penha é considerada uma das legislações mais completas do mundo no combate à violência doméstica.
Segundo ela:
A medida protetiva pode ser concedida apenas com a palavra da vítima;
Não é necessário apresentar testemunhas;
O prazo legal para análise é de até 48 horas;
O descumprimento da medida é crime e pode gerar prisão preventiva.
Apesar disso, Marília destacou que o principal problema está na falta de fiscalização efetiva e na necessidade de integração entre os órgãos públicos.
Fiscalização e políticas públicas
A promotora explicou que não basta conceder medidas protetivas — é fundamental fiscalizar seu cumprimento.
Em algumas cidades, como Sertãozinho, funciona o “Projeto Vida”, sistema de monitoramento realizado pela Polícia Militar que acompanha casos com medidas protetivas concedidas.
Ela reforçou que, ao primeiro sinal de descumprimento, a vítima deve registrar novo boletim de ocorrência.
Cultura machista e não aceitação do fim do relacionamento
Outro ponto abordado foi a raiz estrutural da violência.
Segundo Marília Bononi, muitos casos estão ligados à cultura patriarcal e ao sentimento de posse sobre a mulher, além da não aceitação do término do relacionamento.
“A violência doméstica não é um problema privado. É uma responsabilidade de toda a sociedade”, afirmou.
Campanha do Sinal Vermelho
A promotora também destacou a Campanha do Sinal Vermelho, criada durante a pandemia, que permite à mulher pedir ajuda de forma discreta ao desenhar um “X” vermelho na palma da mão.
Atualmente, a iniciativa é respaldada por lei e qualquer órgão público deve estar preparado para acolher a vítima.
Demora nos julgamentos
Questionada sobre a demora em julgamentos de feminicídio, a promotora explicou que processos com réus presos têm prioridade e que a organização da pauta depende da estrutura e volume de processos de cada vara criminal.
Conscientização é o caminho
Para a promotora, o enfrentamento da violência contra a mulher exige:
- União entre Ministério Público, Judiciário e Executivo;
- Capacitação de servidores;
- Políticas públicas eficazes;
- Educação e desconstrução do machismo;
- Participação ativa da sociedade.
A entrevista reforça que a legislação existe, mas sua efetividade depende de fiscalização, estrutura e mobilização coletiva.
A violência contra a mulher não pode ser naturalizada — denunciar e agir continua sendo fundamental para salvar vidas.
