AMÉRICO PERIN
Américo Perin
Mas ainda dizem que o Brasil é o país do futuro. O problema é que o
futuro nunca chega — talvez porque esteja preso no trânsito da
Marginal Tietê ou esperando uma PEC passar no Congresso.
E o destino juntou um mês: abril, um ano: 1500 e um português de
bigode. Pronto, estava feita a mistura explosiva. Dizem que foi no dia
- O português, da amurada do seu navio, gritou “Ó pá! Daqui da
minha amurada enxergo um país que vai dar para explorar por muitos
anos!!!!”
E a partir daí aquele rico país cheio de gente pelada, mas feliz,
entristeceu-se. Era o começo do fim. Por falar nele, na verdade, não se
sabe quando chegará, pois, por mais que colonizadores e governos
incompetentes e/ou corruptos vêm tentando, ainda não conseguiram
quebrá-lo.
Como já foi dito, “se naquele 21 de abril que já longe vai, os índios
tivessem despidos os portugueses e não esses mesmos terem vestido
os índios, a história teria seguido outro rumo”. Para melhor? Não sei,
mas seria outro.
Experimentaram de tudo, mas nossas (nossas???) riquezas continuam
resistindo com bravura ao desgoverno cruel que numa ou em outra era
tivemos...
Quanta coisa foi levada daqui sem nota fiscal: açúcar, ouro, café, soja,
petróleo... Quantos períodos tristes o povo daqui viu: a vergonha da
escravidão, tomadas de poder pela força de armas, mas nosso povo
ainda tem disposição para rir, até da própria desgraça.
Ri, mesmo sabendo que a história registra passagens de governantes
corruptos e corrompidos, ri mesmo à sombra de um impeachment e
das delações premiadas, ri na fila do SUS, na greve do ônibus, nos
aumentos da gasolina, mas continua firme, afinal sempre teremos um
Carnaval no próximo ano, teremos também outra crise ou um novo
golpe...
Então, se você está pensando em quebrar o Brasil, boa sorte. Já
tentaram por cinco séculos. E tudo o que conseguiram foi um país que
samba na cara da desgraça.
Boa semana a todos. Afinal, somos o país do Carnaval, onde nos
vestimos de palhaços para passar quase uma semana sem trabalhar,
das festas de São João, onde a região mais pobre do país fica um mês
também sem trabalhar, dos rodeios onde nos vestimos de “cowboys”
e da “Oktoberfest,” quando nos vestimos de alemães!...
