AMÉRICO PERIN

10/11/2025

Américo Perin

Mas ainda dizem que o Brasil é o país do futuro. O problema é que o

futuro nunca chega — talvez porque esteja preso no trânsito da

Marginal Tietê ou esperando uma PEC passar no Congresso.

E o destino juntou um mês: abril, um ano: 1500 e um português de

bigode. Pronto, estava feita a mistura explosiva. Dizem que foi no dia

  1. O português, da amurada do seu navio, gritou “Ó pá! Daqui da

minha amurada enxergo um país que vai dar para explorar por muitos

anos!!!!”

E a partir daí aquele rico país cheio de gente pelada, mas feliz,

entristeceu-se. Era o começo do fim. Por falar nele, na verdade, não se

sabe quando chegará, pois, por mais que colonizadores e governos

incompetentes e/ou corruptos vêm tentando, ainda não conseguiram

quebrá-lo.

Como já foi dito, “se naquele 21 de abril que já longe vai, os índios

tivessem despidos os portugueses e não esses mesmos terem vestido

os índios, a história teria seguido outro rumo”. Para melhor? Não sei,

mas seria outro.

Experimentaram de tudo, mas nossas (nossas???) riquezas continuam

resistindo com bravura ao desgoverno cruel que numa ou em outra era

tivemos...

Quanta coisa foi levada daqui sem nota fiscal: açúcar, ouro, café, soja,

petróleo... Quantos períodos tristes o povo daqui viu: a vergonha da

escravidão, tomadas de poder pela força de armas, mas nosso povo

ainda tem disposição para rir, até da própria desgraça.

Ri, mesmo sabendo que a história registra passagens de governantes

corruptos e corrompidos, ri mesmo à sombra de um impeachment e

das delações premiadas, ri na fila do SUS, na greve do ônibus, nos

aumentos da gasolina, mas continua firme, afinal sempre teremos um

Carnaval no próximo ano, teremos também outra crise ou um novo

golpe...

Então, se você está pensando em quebrar o Brasil, boa sorte. Já

tentaram por cinco séculos. E tudo o que conseguiram foi um país que

samba na cara da desgraça.

Boa semana a todos. Afinal, somos o país do Carnaval, onde nos

vestimos de palhaços para passar quase uma semana sem trabalhar,

das festas de São João, onde a região mais pobre do país fica um mês

também sem trabalhar, dos rodeios onde nos vestimos de “cowboys”

e da “Oktoberfest,” quando nos vestimos de alemães!...