BETO BELLINI

06/04/2026

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Todos os anos, assim que acabam as festividades do Carnaval, começa uma corrida contra o tempo para organizar a campanha de Páscoa, uma das maiores festas cristãs do mundo. Além do aspecto religioso, muito importante, a data também é comemorada pelo comércio como uma oportunidade de novos negócios.

A Páscoa, uma das datas mais significativas do calendário cristão, carrega em sua essência uma mensagem profunda de renovação, esperança e ressurreição. No entanto, ao longo das últimas décadas, o sentido religioso tem dividido espaço — e, muitas vezes, competido — com uma forte dinâmica econômica que transforma a celebração em um dos períodos mais movimentados do comércio.

Do ponto de vista econômico, a Páscoa representa uma importante oportunidade para diversos setores. Supermercados, confeitarias, indústrias de chocolate e o comércio em geral se preparam com meses de antecedência para atender a uma demanda crescente. O tradicional ovo de chocolate, símbolo popular da data, tornou-se protagonista de um mercado bilionário, impulsionando empregos temporários, aumento de produção e aquecimento das vendas.

Entretanto, o cenário econômico atual impõe desafios. A inflação dos alimentos, a alta do cacau no mercado internacional e o poder de compra reduzido das famílias têm impactado diretamente o consumo. Em muitas casas, o ovo de Páscoa dá lugar a alternativas mais simples, como chocolates caseiros ou lembranças simbólicas. Essa adaptação revela não apenas uma necessidade financeira, mas também uma possível ressignificação do consumo.

Paralelamente, a dimensão religiosa da Páscoa convida à reflexão sobre valores que vão além do material. Para os cristãos, o período remete ao sacrifício e à ressurreição de Cristo, representando a vitória da vida sobre a morte e a possibilidade de renovação espiritual. É um tempo de introspecção, solidariedade e reconexão com princípios essenciais como fé, compaixão e partilha.

Nesse contexto, surge um ponto de equilíbrio necessário. A economia da Páscoa não precisa ser vista como antagonista da espiritualidade, mas como um reflexo das práticas sociais contemporâneas. O desafio está em não permitir que o consumo esvazie o significado mais profundo da celebração. Comprar, presentear e celebrar são gestos legítimos, desde que acompanhados de consciência e propósito.

Talvez, mais do que nunca, a Páscoa atual convide a um olhar mais atento: como equilibrar tradição, fé e realidade econômica? Em tempos de incerteza, a essência da data pode servir como guia para escolhas mais conscientes, valorizando não apenas o que se compra, mas principalmente o que se compartilha.

Assim, entre vitrines e celebrações religiosas, a Páscoa permanece como um símbolo poderoso — capaz de unir economia e espiritualidade, desde que o verdadeiro sentido não se perca em meio aos apelos do consumo.

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec/STZ e Unip/RP. Membro da ASEL – Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral