CRISTIANE FRAMARTINO BEZERRA
Sinceramente, tem assunto que a gente preferia nem tocar. Mas que precisa ser abordado. E, no momento atual, passa a ser imprescindível, urgente até.
Dia destes, assisti a uma entrevista do comediante Whindersson Nunes, falando corajosamente de seus grandes desafios com a saúde mental e com as drogas. Gastou cerca de 40 milhões de reais no processo de abuso com substâncias ilícitas. Mas conseguiu enxergar o fundo do poço e se internou numa clínica para tratamento e hoje inclusive procura, por meio de suas redes sociais, ajudar outras pessoas que necessitam de tratamento. Gesto louvável.
Durante a entrevista, contando da sua experiência na clínica de recuperação, Whindersson relatou o caso de um dos internos que havia gasto também uma fortuna considerável com os tais jogos, tipo “tigrinho”. Tanto que, numa brincadeira de apelidar seus companheiros de recuperação, ele passou a chamar aquela pessoa de “tiger”.
Tenho acompanhado, infelizmente, vários casos de pessoas afundadas em dívidas por bets, tigrinho e Cia Ltda. Enquanto lemos as notícias na imprensa, gente que tentou o suicídio por perder casa e carro por causa dos jogos, o comprometimento de bilhões de reais que poderiam estar fomentando outras atividades no país, até os mais simples apostando tudo, tentando acabar com suas dívidas e contraindo ainda mais... É hora de a sociedade olhar para o problema. É hora de exigirmos regulamentação séria, controle, auxiliar para que as famílias não se percam num emaranhado sem volta.
Dois casos muito próximos a mim, dois amigos queridos, formados, sempre trabalharam honrando seus compromissos e, de repente, envolvidos em dívidas praticamente impagáveis, agiotas, empréstimos, cartões de crédito de familiares usados de forma indevida. E agora, familiares e amigos se reunindo, se cotizando, tentando controlar o manancial de dívidas contraídas pela esperança de dinheiro fácil. Ao que parece, os jogos oferecem sempre uma cortesia, um valor para que a pessoa seja seduzida pra começar... E depois, muitos se perdem num caminho quase sem volta.
Tenho ouvido de muita gente que “tudo é escolha”, que ninguém obrigou a pessoa a se lançar no despenhadeiro. Porém, quando a gente tenta se colocar no lugar do outro, percebe o quão frágeis somos todos. Tive o privilégio de realizar alguns passeios muito divertidos e, em alguns deles, tanto nos navios ou mesmo no Uruguai, me deparei com cassinos. E me seduzi por aquelas maquininhas que, quando mostravam três carinhas iguais, um barulhão se fazia ouvir, brilho e alguns dólares caindo na conta da máquina... Eu consegui estabelecer meus limites e o quanto gastaria naquelas ocasiões. Porém, confesso que a vontade era de jogar mais e mais... Embora sabendo que poucas vezes a gente ganha algo de muito valor. Mas o que vivi me capacitou a entender os que acabam se viciando. E que precisam de apoio, de ajuda, os que puderem, até de internação, como foi o caso do Whindersson e de muitos que conseguem ter suporte para mudar a rota dos seus vícios.
Não dá mais pra simplesmente fingir que não estamos diante de um caso praticamente epidêmico, grave, real.
São pessoas se afundando e se perdendo cada dia mais. Um número considerável que precisa ser visto e a Saúde Pública ter meios de acompanhar e tratar. Mais do que nunca, olhos nos olhos e pedir que as pessoas sejam honestas sobre suas aflições para que possamos tentar ajudar de alguma forma. Experiências positivas começam a aparecer para quem admite que tem o problema e pede ajuda. Reconhecer é um importante passo, mas sabermos para onde encaminharmos as pessoas que desejam ser ajudadas também é urgente.
Muito Amor e Luz pra você!
Muito Amor, discernimento e sabedoria a todos nós!
Cristiane Framartino Bezerra
Historiadora de Religiões, Escritora, Cerimonialista, Celebrante, Produtora Cultural, Angelóloga, Ativista social, cultural, humanitária e política.
Atendimento Angélico: 16 999941696 ou Instagram: @crisbezerrarp
