AMÉRICO PERIN
No bairro da periferia onde existe uma cidade pulsante e a realidade muitas vezes se apresenta em tons de cinza, um som diferente começou a ecoar.
Não era o barulho costumeiro do trânsito distante, nem o burburinho das conversas na esquina. Era algo mais... melódico. Um violino que ensaiava as primeiras notas, a flauta que tentava um arpejo, o trombone que soltava um grave ainda incerto. Era a Orquestra Jovem ganhando vida, nota a nota, em um pequeno salão comunitário.
Mas o que parecia ser apenas uma atividade extracurricular logo se revelou muito mais. Para aqueles jovens, a orquestra não era só um lugar para aprender a tocar um instrumento; era uma escola de vida. A disciplina exigida para dominar uma partitura, a paciência para harmonizar com os colegas, a responsabilidade de cada um para o grupo soar bem – tudo isso se traduzia em lições valiosas que reverberavam muito além das paredes do salão.
Com o tempo, os olhares antes cabisbaixos se erguiam com confiança. As mãos que antes poderiam estar ociosas ou em contato com realidades difíceis, agora seguravam arcos e baquetas com destreza. A música abria portas que a geografia da comunidade parecia fechar. Convites para apresentações em outros bairros, outras cidades a oportunidade de conhecer outros músicos, e a chance de vislumbrar um futuro em que o talento e a dedicação pudessem levá-los para além das fronteiras da sua realidade de vida. Alguns sonhavam em ser maestros, outros em lecionar, e muitos simplesmente carregavam consigo a certeza de que haviam encontrado na melodia uma força capaz de reescrever suas próprias histórias, transformando o som em um passaporte para um futuro mais promissor.
E não era apenas um sonho distante. A Orquestra Jovem se tornou também um celeiro de talentos, um trampolim para a profissionalização. Com o apoio de parceiros e a dedicação dos mentores, os alunos mais avançados começaram a receber bolsas de estudo, a participar de workshops com músicos profissionais e, em alguns casos, até a ser contratados para tocar em eventos e orquestras maiores. O violino que antes era apenas um instrumento de aprendizado, agora se tornava uma ferramenta de trabalho. O som que ecoava naquele bairro não era apenas a melodia de uma canção, mas o preludio de uma carreira, a prova viva de que a arte, quando acessível, pode não só embelezar a alma, mas também construir pontes sólidas para um futuro digno e cheio de possibilidades.
Mas sozinhos nada conseguiríamos. Como a própria música nos ensina, o trabalho de um grupo é fundamental. E a nossa Orquestra agradece à Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura e Turismo, à Câmara Municipal através de seus vereadores, ao Grupo Balbo, à Nova Smar, à Destilaria Santa Inês, ao Savegnago e a todas as outras empresas que eventualmente estiveram presentes nesses já quase vinte anos, participando conosco na descoberta de grandes talentos e formação de bons cidadãos.
Finalizando hoje, a Orquestra Jovem deixa aqui seu convite.
