“O que ninguém te contou sobre CNH sem autoescola”: diretor explica polêmica e incertezas sobre proposta do governo

24/11/2025

Durante o podcast apresentado pela Dra. Rita, o diretor da Autoescola São Judas Tadeu, Paulo Menechelli, esclareceu dúvidas e desmistificou a polêmica em torno de uma possível autorização para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a necessidade de aulas em autoescolas. A discussão ganhou força nas redes sociais após declarações do Ministério dos Transportes e a divulgação de uma minuta em consulta pública pelo Contran.

Segundo Menechelli, nada foi aprovado até o momento, e o que circula nas redes é, em grande parte, especulação.

“Em agosto, o ministro dos Transportes levantou a hipótese de permitir que o candidato escolhesse onde gostaria de tirar a habilitação, inclusive sem aulas teóricas ou práticas. Mas é apenas uma minuta, uma ideia inicial que ainda não passou por aprovação”, explicou.

 

Proposta trouxe confusão e preocupação para o setor

A minuta apresentada pelo Contran chegou a sugerir que o candidato pudesse optar por não realizar aulas, apenas os exames. Inicialmente, o documento citava zero aulas obrigatórias; depois, especulou-se a exigência de duas a cinco aulas, número ainda indefinido.

Menechelli destacou que isso gerou insegurança entre alunos e profissionais e que o setor não foi ouvido pelo governo.

“A autoescola não dá 20 aulas porque quer. Isso está na legislação. Retirar essa exigência de repente, sem planejamento, pode resultar em mais acidentes”, afirmou.

Ele também comentou a alegação do ministro de que a CNH seria muito cara, chegando a R$ 4 mil em alguns casos.

“Em Sertãozinho, por exemplo, uma habilitação de carro e moto custa em média R$ 2.200. Se for só carro, R$ 1.600. Os valores variam por estado e incluem taxas que continuarão existindo, com ou sem autoescola”, completou.

 

Risco de aumentar acidentes

O diretor alertou sobre o impacto da retirada das aulas para motoristas iniciantes:

“Tem gente que nunca ligou um carro. O primeiro contato com o trânsito acontece na autoescola. Sem aprendizado formal, como essa pessoa vai saber interpretar placas, regras e direção defensiva?”

Ele lembrou que países citados como referência, como os Estados Unidos, possuem outra cultura de trânsito, infraestrutura e formação desde a escola, o que torna a comparação injusta.

 

Categoria tenta diálogo em Brasília

Representantes de autoescolas, sindicatos e federações estão se mobilizando em Brasília para que a mudança, se ocorrer, seja discutida no Congresso e não apenas por resolução.

“É uma alteração drástica. Estamos buscando diálogo porque isso afeta segurança pública, mobilidade e o cotidiano de milhões de brasileiros”, disse Menechelli.

 

Emoção, aprendizado e desafios no dia a dia

Com 45 anos de experiência na área, o diretor também falou sobre a rotina nas autoescolas e o perfil dos alunos.

“Cada pessoa aprende de um jeito. Tem aluno que domina rápido, e tem aquele que, por nervosismo, reprova mesmo após 20 aulas. Somos responsáveis por formar pessoas que vão dividir o trânsito com todos nós.”

Ele também reforçou dificuldades impostas pela legislação, como a impossibilidade de ensinar em carros automáticos, apesar de serem predominantes nas ruas.

 

Enquanto isso… Espera e dúvidas

O setor prevê que, caso a proposta seja aprovada, o impacto inicial será uma corrida de candidatos para regularizar a situação — muitos acreditando que a habilitação ficará mais barata, o que Menechelli considera improvável.

Enquanto isso, autoescolas e futuros motoristas aguardam um posicionamento oficial.

“Está tudo muito nebuloso. Desde agosto, estamos convivendo com essa incerteza”, concluiu.