O PT e o legado da corrupção

O PT e o legado da corrupção
10/11/2025

Do Mensalão à Lava Jato, e agora a CPI do INSS, os governos petistas transformaram a promessa de ética em uma sucessão de escândalos que abalaram a confiança do Brasil em sua própria política.

 

Introdução

O Partido dos Trabalhadores chegou ao poder em 2003 com um discurso de mudança. Falava-se em ética, transparência e ruptura com as velhas práticas da política brasileira. O slogan “a esperança venceu o medo” embalava milhões de brasileiros. Mas o que se viu ao longo dos anos seguintes foi justamente o oposto: uma sucessão de escândalos que colocaram o PT no centro da maior crise de corrupção da história do país.

 

Do Mensalão à Degradação da Política

O primeiro grande golpe à credibilidade petista veio em 2005, com a revelação do “Mensalão”. O esquema de compra de apoio parlamentar mostrou que o partido que dizia combater o fisiologismo acabou se rendendo à mesma lógica que tanto criticava. A cena de dirigentes históricos condenados pelo STF escancarou a degradação moral de uma legenda que havia surgido como “a voz da ética” na política.

 

O Caso Erenice Guerra

Em 2010, outro escândalo abalou a imagem do governo: a então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, sucessora de Dilma Rousseff, foi acusada de montar um esquema de tráfico de influência dentro do Palácio do Planalto. Reportagens revelaram que seu filho intermediava contratos com empresas privadas em troca de propina. A crise levou à saída de Erenice do governo e reforçou a percepção de que a corrupção estava entranhada até nos mais altos escalões do poder.

 

Pasadena e a Petrobras usada como caixa

Se o Mensalão abalou a imagem política, a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, mostrou a irresponsabilidade na gestão. A Petrobras, orgulho nacional, foi tratada como instrumento de negócios obscuros. Pagou-se caro por um ativo obsoleto, em uma transação que levantou suspeitas de corrupção e má-fé. Esse foi apenas o prenúncio do que viria a seguir.

 

A Lava Jato e a corrupção sistêmica

A Operação Lava Jato revelou a podridão do esquema montado dentro da Petrobras. Empreiteiras, diretores da estatal e políticos petistas operavam juntos em contratos bilionários superfaturados. Era propina para todos os lados, dinheiro desviado e uma máquina partidária sustentada pela corrupção. A Lava Jato mostrou que não se tratavam de casos isolados, mas de um sistema de poder alimentado pelo roubo do dinheiro público.

 

Fundos de Pensão e a traição aos trabalhadores

Enquanto isso, fundos de pensão de estatais, como Previ, Petros e Funcef, foram alvo de operações que revelaram má gestão e desvios. Trabalhadores e aposentados, que confiaram suas economias, viram seus benefícios ameaçados. O partido que nasceu defendendo o operariado acabou traindo aqueles que mais dizia proteger.

 

O Escândalo do INSS – Careca do INSS e a CPI

Mais recentemente, outro episódio expôs novamente a vulnerabilidade do sistema sob gestões petistas. O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi apontado como lobista em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas. O caso resultou na abertura de uma CPI no Congresso, que ouviu o próprio Careca, acusado de intermediar propinas e vantagens em contratos. O escândalo mostrou como até os mais frágeis – os beneficiários da Previdência Social – foram vítimas de esquemas de corrupção que drenaram recursos públicos e afetaram diretamente a população mais dependente do Estado.

 

A consequência: desconfiança e crise política

Todos esses escândalos não foram apenas episódios criminais: corroeram a confiança da sociedade nas instituições, alimentaram a descrença na política e mergulharam o país em crise. O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, foi consequência direta desse ambiente de desgaste ético e econômico.

 

Conclusão

O PT, que surgiu prometendo ser a alternativa ética, acabou protagonizando os maiores escândalos de corrupção da nossa história. O discurso da moralidade ruiu diante da prática da propina, do superfaturamento e do loteamento do Estado. Mais do que erros, o que se viu foi um projeto de poder sustentado pela corrupção. Um legado amargo, que até hoje marca o Brasil e nos faz questionar: quem, afinal, paga a conta desses desvios? Sempre o povo brasileiro.

 

Paulo Roberto Garcia – Engenheiro de Produção - USP