BETO BELLINI
A maldade humana não tem uma única causa. Ela surge da combinação de fatores emocionais, sociais e, muitas vezes, do contexto em que a pessoa está inserida. Todos os seres humanos carregam potenciais contraditórios: empatia e agressividade, altruísmo e egoísmo. Em muitos casos, a maldade se manifesta quando emoções intensas, como medo, inveja, frustração ou ressentimento, não são elaboradas de forma saudável. Pessoas que se sentem ameaçadas ou desvalorizadas podem reagir tentando recuperar controle, às vezes por meio de atitudes que prejudicam outros. Especialmente quando falta autoconsciência ou empatia.
Um elemento central é a desumanização, quando o outro deixa de ser visto como alguém digno de respeito. Isso facilita atitudes agressivas, desonestas ou cruéis, tanto em relações pessoais quanto em ambientes profissionais. Pessoas também aprendem comportamentos. Quem cresce em contextos onde a violência e o abuso são normalizados pode reproduzir esses padrões ao longo da vida.
O papel do poder merece destaque. Cargos de autoridade podem amplificar comportamentos negativos, sobretudo quando há sensação de impunidade ou ausência de controle. Em posições assim, alguns passam a enxergar os outros como meios para seus objetivos, o que pode resultar em abusos, humilhações ou decisões que ignoram o impacto humano. Estruturas hierárquicas fechadas costumam agravar esse problema. Decisões passam a ser justificadas por objetivos maiores, ainda que causem prejuízo direto a indivíduos ou grupos.
Nas relações pessoais, a maldade frequentemente aparece de forma silenciosa: manipulação, desrespeito, agressões verbais ou emocionais. Aqui, a proximidade torna o impacto mais intenso e, muitas vezes, o comportamento nasce de inseguranças, ciúmes ou incapacidade de lidar com conflitos de forma saudável.
Um ponto importante é que a maldade nem sempre vem de pessoas “más”, mas de atitudes cotidianas, pequenas omissões, julgamentos ou abusos que vão se acumulando. Por isso, combatê-la exige não só leis e regras, mas também consciência individual, empatia e responsabilidade.
Entender por que as pessoas fazem maldade não significa justificá-la, mas dar ferramentas para preveni-la. Afinal, a mesma humanidade que fere é também capaz de escolher o respeito, o cuidado e a justiça.
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.
