BETO BELLINI
O fascismo é uma das ideologias políticas mais perigosas da história contemporânea. Surgido na Europa no início do século XX, caracteriza-se pelo autoritarismo, pelo nacionalismo extremo, pela concentração de poder em lideranças fortes, pela intolerância à oposição e pela rejeição de princípios fundamentais da democracia liberal. Historiadores e instituições especializadas destacam que movimentos fascistas tendem a colocar a nação ou um grupo considerado superior acima dos direitos individuais, frequentemente recorrendo à propaganda, à perseguição de inimigos internos e à supressão das liberdades civis.
A principal ameaça do fascismo é o enfraquecimento da democracia. Regimes e movimentos fascistas historicamente demonstraram hostilidade ao pluralismo político, à liberdade de imprensa, à independência das instituições e ao direito de oposição. Em vez do debate democrático e da convivência entre diferentes ideias, promovem a lógica do líder infalível e da obediência incondicional.
Outro aspecto preocupante é o comportamento frequentemente observado entre defensores de ideias fascistas. A retórica fascista costuma dividir a sociedade entre “nós” e “eles”, transformando divergências políticas e culturais em conflitos existenciais. Problemas complexos passam a ser atribuídos a grupos específicos, convertidos em bodes expiatórios.
Nesse contexto, a dissonância cognitiva desempenha um papel relevante. Trata-se do fenômeno psicológico pelo qual indivíduos resistem a informações que contradizem suas crenças prévias. Quando uma pessoa investe emocionalmente em uma ideologia, pode rejeitar evidências contrárias, reinterpretar fatos ou acreditar em teorias conspiratórias para preservar sua visão de mundo.
A negação da ciência também costuma caminhar ao lado de projetos autoritários. A pesquisa científica depende de liberdade de investigação, pensamento crítico e constante revisão de hipóteses. Já o fascismo privilegia verdades absolutas impostas pela autoridade.
A relação do fascismo com a cultura é igualmente problemática. Regimes fascistas frequentemente enxergam a diversidade cultural, artística e intelectual como ameaça à uniformidade que procuram impor. Artistas, escritores, professores e intelectuais podem ser acusados de representar valores considerados inadequados ou degenerados.
As mulheres também costumam ser alvo de visões conservadoras e hierarquizadas associadas ao fascismo histórico. Em vez de promoverem igualdade de oportunidades, tais concepções frequentemente procuram limitar o papel feminino a funções tradicionais previamente definidas.
As minorias, por sua vez, estão entre as mais vulneráveis diante de ideologias fascistas. A busca por uma suposta homogeneidade nacional frequentemente leva à discriminação contra grupos étnicos, religiosos, culturais ou sociais considerados diferentes.
Combater o fascismo não significa apenas rejeitar uma ideologia do passado. Significa defender valores universais como a democracia, os direitos humanos, a liberdade de expressão, a igualdade perante a lei, o respeito à ciência e a valorização da diversidade.
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.
