AMÉRICO PERIN
Américo Perin
Ele era um menino criativo e cheio de sonhos que, como a maioria de todos os meninos, sonhava como seria sua vida adulta.
Seu pai havia estudado na Faculdade da Escola Politécnica de São Paulo, passara no exame de admissão com nota altíssima, foi o segundo colocado da turma! Exemplo para todos seus filhos, que o tomavam como exemplo máximo de pai, líder, amigo e conselheiro. E o menino que era o único homem, - o mais velho dos quatro irmãos – procurava imitar o pai em tudo.
No quintal da casa havia uma pequena oficina, cheia de ferramentas e ali o menino cresceu entre projetos, nem sempre bem-sucedidos, mas que o entretinham e instigavam sua curiosidade na criação e execução dos seus pequenos projetos.
É claro que o garoto também brincava, tinha amigos pelo bairro e alguns até compartilhavam com ele a alegria da criação de novas ideias, que dificilmente se concretizavam. O menino cresceu, estudava muito, queria porque queria ser um engenheiro como o pai. O país crescia, vinham de fora fábricas enormes, que faziam equipamentos maravilhosos e os sonhos do garoto só cresciam...
Os anos se passaram e veio a aposentadoria. E o nosso engenheiro após voltas e mais voltas, sempre com novos projetos mudou tudo e abriu uma lanchonete. Sim, uma lanchonete e na fachada escreveu: O ENGENHEIRO QUE VIROU SUCO.
Com o passar dos anos, a lanchonete tornou-se mais do que um comércio: virou um símbolo. O nome curioso estampado no letreiro era repetido em conversas, lembrado em histórias, citado em reportagens. “O Engenheiro que Virou Suco” não era apenas um lugar para matar a sede, mas um espaço onde se celebrava a criatividade, a coragem de recomeçar e a beleza de transformar a vida com novas oportunidades.
O homem, que um dia fora menino sonhador, compreendeu que a vida não se mede apenas pelos sonhos realizados, mas também pela capacidade de reinventar-se. Ele não construiu pontes de concreto, mas ergueu pontes invisíveis entre pessoas. Não projetou fábricas, mas fabricou memórias.
E assim, entre copos coloridos e risadas, encontrou sua verdadeira engenharia: a de transformar o cotidiano em poesia.
Naquele letreiro, iluminado pelas luzes da rua, estava gravada sua história. O menino que gostava de cálculos havia se tornado o homem que calculava felicidades.
