AMERICO PERIN
Na Praça Central da cidade, onde o concreto costuma sufocar o verde, um grupo de jovens decidiu plantar esperança. Não eram jardineiros, mas visionários: cada muda de árvore que enterravam era também um gesto de resistência contra a indiferença. Ao redor, curiosos paravam, alguns ofereciam água, outros apenas observavam, como quem descobre que ainda há espaço para o inesperado.
Os projetos sociais nascem assim, quase sempre pequenos, quase sempre invisíveis. Um mutirão de leitura embaixo de uma árvore, uma oficina de artesanato no salão da igreja, um curso de informática improvisado na garagem. São sementes lançadas em terrenos áridos, que dependem da coragem de quem acredita que o coletivo pode transformar o destino.
O mais curioso é que esses projetos não se sustentam em grandes discursos, mas em gestos cotidianos: o voluntário que chega depois do trabalho cansado, a senhora que doa café para animar os encontros, a criança que aprende a escrever seu nome e, sem saber, inaugura uma nova história. É nesse tecido de pequenas ações que se costura a verdadeira mudança.
E quando a cidade começa a perceber que algo floresce, o projeto deixa de ser apenas uma iniciativa: torna-se memória, torna-se pertencimento. Afinal, não há nada mais revolucionário do que descobrir que o futuro pode ser construído com as próprias mãos, em comunidade, passo a passo, como quem planta árvores na praça e espera, pacientemente, pela sombra que virá.
No nosso caso, o projeto sociocultural iniciou-se em 2004, com a intenção da direção da EMEF Prof. Antônio Cristino Cabral em oferecer um curso de música diferenciado, que trabalhasse também o aspecto social dos alunos. Aos poucos, o projeto despertou a atenção de alunos de outras escolas, que foram agregados nos trabalhos.
O projeto é inteiramente gratuito, oferecendo as aulas e os instrumentos necessários. As aulas oferecidas abrangem teoria musical e prática de instrumentos como trompete, trombone, clarineta, oboé, saxofone, flauta transversal, violino, violoncelo, baixo-solo, viola erudita e percussão. Como consequência, surgiram a Orquestra Jovem de Sertãozinho e a STZ Jazz Band, cada uma com suas próprias características sonoras e de repertório. Isso posto, começaram a surgir convites para apresentações nas cidades da região e até em concerto a convite da Presidência da República, onde a Orquestra tocou para uma plateia de 5.500 pessoas e foi muito aplaudida. O evento foi no Expo Center Norte, na capital do Estado. Também aconteceram várias apresentações em inaugurações da prefeitura, eventos em praças públicas e teatros. Abrilhantou também bailes em clubes da nossa cidade. Alguns dos nossos alunos já participaram de workshops na Itália, cada qual na sua especialidade musical. Temos 17 aprovados no exame da OMB – Ordem dos Músicos do Brasil - e outros possuem curso superior em música. Dentre eles, vários que já estão inseridos no mercado de trabalho como professores ou músicos.
Encerrando por aqui hoje, envio nosso agradecimento ao poder público do município, Sertãozinho, recentemente promovida a Estância Turística, onde destaca-se pelo turismo de negócios (Fenasucro), industrial, cultural e de lazer, oferecendo atrações como o Museu da Cana, Parque do Cristo Salvador (com vista 360°) e o Parque Ecológico Gustavo Simioni.
Na iniciativa privada, o Grupo Econômico Balbo, a Nova Smar Sertãozinho, a HPB Sistemas de Energia e a Engevap Engenharia e Equipamentos Ltda.
Empresários e autoridades públicas que, conscientes da importância da Educação, participam conosco na manutenção desse projeto que já dura 19 anos, sendo inclusive como de Utilidade Pública pela Lei 539 de 07/03/2012.
