Maio Amarelo 2026 reforça a importância da conscientização e do cuidado coletivo no trânsito
Dados do governo indicam alto número de acidentes no país e especialistas destacam atitudes simples que podem evitar ocorrências
O mês de maio marca mais uma edição do Maio Amarelo, movimento internacional criado pela ONU em 2011 e que, no Brasil, é coordenado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) desde 2014. A campanha tem como objetivo mobilizar a sociedade para a construção de um trânsito mais seguro, a partir de atitudes conscientes no dia a dia.
Dados recentes da Polícia Rodoviária Federal ajudam a dimensionar o desafio. O país registrou mais de 72 mil acidentes em rodovias federais ao longo de 2025. Embora o dado se refira às estradas, ele reflete um cenário mais amplo, que envolve comportamento, atenção e respeito entre todos os usuários das vias, dentro e fora dos centros urbanos.
Apesar da mobilização crescente, especialistas reforçam que a mudança começa com atitudes individuais. Para o professor da Estácio e especialista em Segurança de Trânsito, Anderson Manzoli, muitos acidentes estão associados a fatores evitáveis. “A falta de manutenção dos veículos ainda é uma das principais causas de falhas mecânicas. Manter a revisão em dia é uma medida simples, mas que faz toda a diferença”, afirma.
Além disso, Manzoli destaca que a forma como as cidades são planejadas também impacta diretamente a segurança. “A infraestrutura viária, muitas vezes, prioriza o automóvel e não contempla adequadamente pedestres, ciclistas e o transporte público. Isso aumenta os riscos e torna o trânsito mais complexo e inseguro para quem não está de carro”, explica.
Outro ponto central, segundo o especialista, é o comportamento humano. Desatenção, pressa e desrespeito às regras seguem entre os principais fatores de risco. “O Maio Amarelo tem um papel essencial ao estimular empatia. O trânsito é um espaço coletivo, e todos precisam se enxergar como parte dele”, diz.
Como agir em caso de acidente
Em situações de emergência, saber como agir pode evitar agravamentos. O cirurgião geral de urgência e trauma e docente da IDOMED, Dino César Pereira da Motta, orienta que o primeiro passo é acionar o atendimento especializado.
“O ideal é ligar para o SAMU e informar com clareza o estado da vítima, como presença de sangramento, inconsciência ou pessoas presas em ferragens. Não se deve movimentar o acidentado, pois isso pode agravar lesões”, alerta.
Segundo o médico, o atendimento adequado desde o local do acidente é fundamental para reduzir complicações. Ainda assim, ele reforça que a melhor abordagem continua sendo preventiva. “Grande parte das ocorrências pode ser evitada com atenção, respeito às normas e responsabilidade no trânsito”, afirma.
Ao longo do mês, o Maio Amarelo convida a população a refletir sobre hábitos e atitudes. Mais do que uma campanha, a iniciativa propõe uma mudança de cultura, em que cada escolha no trânsito contribui para um ambiente mais seguro para todos.
LEGENDA:
Anderson Manzoli, docente do curso de Engenharia Civil da Estácio
