BETO BELLINI
O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) é um imposto estadual, cobrado anualmente, cuja alíquota varia a cada Estado (de 1 a 6%) de acordo com o valor do veículo.
Esse é, provavelmente, o imposto estadual mais conhecido, já que atinge todas as pessoas que possuem carro ou moto.
Porém, como o nome do IPVA indica, o imposto não incide apenas sobre carros ou motos, mas sim sobre toda pessoa que possua um veículo automotor, seja automóvel, motocicleta, aeronave ou embarcações.
O recolhimento do IPVA é anual e 50% do valor arrecadado é destinado ao município onde o veículo foi licenciado.
Vamos começar pelo IPVA, cujo pagamento está mais perto de acontecer. Há consultores financeiros que acreditam que o desconto é baixo e que, portanto, o ideal é parcelar.
O desconto é pequeno. E muita gente ainda está pagando os restos das festas do ano passado. Por outro lado, se a pessoa tiver dinheiro sobrando e quiser se livrar logo do imposto, deve pagar o IPVA de uma só vez. Neste caso, não se trata de uma vantagem financeira, mas de um conforto emocional.
Existe uma conta para mostrar que o melhor, financeiramente falando, é pagar o IPVA de uma vez. Basta comparar com uma aplicação conservadora, como a poupança.
No caso de automóveis, camionetas, caminhonetes, ônibus, micro-ônibus e motos, o imposto pode ser parcelado em três meses. “Considerando-se que a caderneta renda 0,55% ao mês, em três meses ela rendeu menos de 3%”, afirma. Então, é melhor ter o desconto do que receber os juros de um investimento conservador, por exemplo.
Daqui a pouco, receberemos o IPTU, cujo desconto deve ser maior, como 10%. O ideal mesmo é optar pelo pagamento à vista. O raciocínio é o mesmo: esse desconto, em geral, é maior do que a rentabilidade mensal de muita aplicação conservadora ou moderada.
Agora, se o contribuinte encontrar no mercado financeiro uma aplicação que pague 10% de juros, deve parcelar o imposto e colocar o dinheiro nessa aplicação.
Mas atenção: quem decidir pagar o IPTU à vista para aproveitar o desconto tem de ficar atento ao orçamento doméstico. O IPTU não pode comer metade do orçamento da família. Deve ficar perto de 20% ou, no máximo, 30% da receita do mês.
Quem quiser ir se programando para os impostos do começo do ano já pode traçar uma estratégia.
O melhor é ir separando todo mês o valor referente aos impostos. “E colocar em uma conta de poupança, por exemplo, separada, para que não se caia na tentação de gastar o dinheiro”, afirma.
Basta pegar o valor atual de ambos os impostos e dividir por 12 e ir colocando na caderneta de poupança (que não cobra taxas nem Imposto de Renda). “A rentabilidade da poupança deve gerar caixa para pagar os impostos sem susto.”
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec/STZ e Unip/RP. Membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras
