Há vagas para pacientes com osteointegração transtifibial no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto/SP
Dr Nelson Fabrício Gava, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, informa que há vagas para pessoas amputadas que queiram colocar a prótese fixa transtifibial, através do programa PRONAS.
Atenção, os médicos e professores do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Nelson Fabrício Gava e Edgard Engel, do Departamento de Ortopedia da FMRP-USP e Coordenador do Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas, criaram o projeto de OSTEOINTEGRAÇÃO, uma nova técnica que dá mais liberdade as pessoas amputadas na perna e coxa, que proporciona que as células ósseas cresçam e aderem à superfície do implante, formando uma união sólida. Esse enraizamento no osso é essencial para garantir a estabilidade do implante e o sucesso a longo prazo do procedimento. Realizado através do PRONAS - Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência, que capta recursos via incentivo fiscal (doações de até 1% do Imposto de Renda) para financiar projetos de instituições sem fins lucrativos focados na promoção da saúde, reabilitação e habilitação de pessoas com deficiência, fortalecendo o SUS e garantindo mais acesso a serviços, formação de profissionais e pesquisas na área.
Iniciado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o programa entra no segundo ano, com vagas para pacientes Transtibial, ou seja, paciente com amputação ou prótese localizada abaixo do joelho, envolvendo a tíbia e fíbula (panturrilha), que preserva a articulação do joelho e facilita a reabilitação e o uso de próteses, sendo um dos tipos mais comuns de amputação de membros inferiores.
A técnica foi introduzida no Brasil pelo cirurgião oncológico do Hospital do Câncer de Pernambuco, Marcelo Souza, que realizou a primeira cirurgia, no Brasil, em maio de 2022 e os doutores, Nelson e Edgard foram conhecer a técnica de perto e criaram um projeto para atender os pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. “Eu, em conjunto com o professor Edgar Engel, criamos esse projeto através do Pronas, junto com o Ministério da Saúde, dedicado aos pacientes amputados Transtibial e Transfemoral. Sendo que, o Transtibial refere-se a uma amputação localizada abaixo do joelho, envolvendo a tíbia e fíbula (panturrilha), preservando a articulação do joelho, o que facilita a reabilitação e o uso de próteses, considerado como um dos tipos mais comuns de amputação de membros inferiores. Já os pacientes com amputação Transfereal, que é a remoção cirúrgica de parte ou de todo o membro inferior acima do joelho, na região da coxa, envolvendo o osso fêmur, e é também conhecida como amputação de coxa”.
O programa em Ribeirão Preto iniciou com vagas para:
- Quinze (15) vagas para pacientes com osteintegrada Transfemoral, na coxa (já foi atingido e está com lista de espera), e;
- Quinze (15) osteintegrada Transtibial - abaixo do joelho, há vagas.
“Através do projeto percebemos que tem mais candidatos Transfemoral, que já foi atingida a meta e está em lista de espera. Mas, precisamos atingir a meta e contamos com sua ajuda para atingir esse resultado”, informa dr. Nelson.
Dr Nelson também explica que através da osteointegração, o paciente terá mais qualidade de vida, o que não ocorre para quem usa a prótese convencional, visto muitos relatos e queixas ao utilizar o encaixe. “Muitas vezes o paciente engorda, emagrece ou pelo próprio atrito do material com o coto, machuca sua pele, causando desconforto e feridas. Ao ver tantos casos, criamos o projeto. Nossa ideia foi a colocação de um pino dentro do osso, que vai sofrer uma integração com o osso. Por isso o nome da prótese é osteintegrada. Uma parte desse pino fica para fora da pele, de onde tem o coto da amputação, seja esse coto no meio da perna ou no meio da coxa, dependendo do nível da amputação. E por esse pedaço de coto, a gente acopla a prótese que a paciente já usaria com o encaixe. Então o principal objetivo do projeto é eliminar o encaixe externo, que muitas vezes causa dor e dificuldades. E após a cirurgia com a osteintegração, melhora a qualidade de vida dos pacientes e também os gastos decorrentes com as mudanças das próteses descartáveis, ao longo da sua vida”.
E continua, “estamos tendo bons resultados com nossos pacientes, sem nenhuma contraindicação. O projeto vai contemplar trinta pacientes. Referente aos pacientes transfemoral, já atingimos a meta e tem uma lista de espera. Mas, para os pacientes Transtibial ainda há vagas e pedimos a ajuda de todos para levar essa informação e nos ajudar a favorecer quem precisa”, esclarece.
E faz um alerta importante. “Através desse projeto, assim que conseguirmos comprovar cientificamente que a osteintegração melhora a qualidade de vida dos pacientes e que é uma ótima técnica, vamos fazer a solicitação no SUS – Sistema Único de Saúde, que essa tecnologia seja implementada em todos os atendimentos de amputados, visto essa prótese ter um valor que é alto na implantação, mas, por outro lado, vai eliminar gastos para o paciente ao longo da sua vida”.
Nesse momento, a paciente Kelly Bernardo, que tem orgulho em afirmar que, “sou a primeira mulher Osteintegrada TRANSTIBIAL do interior de São Paulo e a primeira transtibial a fazer essa cirurgia no HC de Ribeirão Preto, e confirmo que definitivamente essa cirurgia mudou a minha mobilidade e qualidade de vida”.
Em seguida comemora afirmando que era “a tia do talco”, pois utilizava 4 latas de talco por mês, além dos produtos indispensáveis para a higiene do local, e desde que fiz a amputação e pós cicatrização era obrigada a utilizar”.
Segundo Kelly, “nesse cuidado diário, para quem utiliza prótese são necessários os seguintes procedimentos:
- Liner (meia de silicone, gel ou poliuretano), que funciona como uma "segunda pele", protegendo o coto contra atrito e impactos;
- Meias de encaixe (meias de toco), para ajustar o volume ou preencher folgas no encaixe;
- Joelheira de suspensão (se necessário): Usada por cima do liner e do encaixe para garantir a fixação da prótese (comum em amputações abaixo do joelho), que era o meu caso,
- Encaixe (Socket): a parte personalizada que recebe o coto e
- Produtos para limpeza: Sabão neutro para lavar o liner diariamente, essencial para evitar infecções e fungos e, no meu caso, muito talco, pois suava demais. E como trabalho, ao chegar em casa e retirar a prótese, minha perna estava cinza e se, por acaso arranhasse a pele com minha unha, já virava bolha na hora e a dor era insuportável. Por várias vezes tive que ser afastada do trabalho, por esse motivo. Hoje estou muito feliz e recomendo a todos”, relata.
Nesse momento Dr Nelson justifica que esse é o maior benefício da osteintegração nos pacientes. “Uma vez feita a cirurgia, nunca mais ele vai comprar um encaixe novo. A longo prazo, tanto o SUS como os pacientes terão economia, pois a maioria dos produtos para o encaixe, são fornecidos pelo SUS”, esclarece.
E além da economia para todos, a qualidade de vida e acessibilidade para as Pessoas amputadas é fundamental para um Brasil de todos!
TURISMO REGIONAL BRASILEIRO
Nesse momento, Kelly Bernardo aproveita a oportunidade e faz um alerta as autoridades e governantes.
“Sou uma pessoa muito ativa e nem mesmo a amputação tirou minha energia em deixar um mundo melhor. Hoje, estou como voluntária da Associação de Comunicação do Turismo Brasileiro – ACTB e queremos levar um olhar mais atento e orientações sobre novos projetos, tanto que criamos um projeto para o Parque Linear de Sertãozinho e estamos apresentando a Prefeitura, para eliminar os problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência nos locais públicos e privados, que ainda não oferecem acessibilidade. E isso não é só em Sertãozinho, mas em várias partes do Brasil”.
E faz um apelo aos governantes e engenheiros, “ao criar projetos não esqueçam da acessibilidade nos parques, nas praças e ruas, pois como diz nossa presidente o Brasil está envelhecendo e nós PCD´s - Pessoas com Necessidade Especiais também queremos passear e descobrir novos caminhos”, desabafou.
PRAZO PARA INSCRIÇÃO
Dr Nelson Gava informa que sua equipe no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, irá realizar, no total, 30 cirurgias com pacientes pré-selecionados, “e já estamos no segundo ano, por isso não perca tempo e faça já sua inscrição. Ou, se você conhece alguém que é amputado e não tem condições de colocar a prótese, faça já sua inscrição através do telefone (16) 3602-1813 e fale com a enfermeira Gilbert”.
A Rota do Turismo parabeniza a equipe do Hospital das Clinicas e convida a todos para compartilhar essa informação e juntos vamos oferecer as pessoas amputadas mais qualidade de vida.
https://rotadoturismo.com
