Força muscular está ligada à longevidade, aponta estudo

04/05/2026

Pesquisa foi realizada com 5.472 mulheres e publicada na JAMA Network Open; nutricionista destaca que nutrição adequada é essencial para sustentar ganhos ao longo da vida

 

A força muscular pode ser um dos principais indicadores de longevidade. Um estudo publicado na JAMA Network Open apontou que níveis mais baixos de força estão associados a um maior risco de mortalidade por diferentes causas, reforçando o papel da musculatura na saúde ao longo dos anos. Na prática, isso significa que manter e desenvolver massa muscular contribui para preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.
O estudo analisou dados de 5.472 mulheres, com idades entre 63 e 99 anos, ao longo de oito anos, e identificou que as participantes com maior força apresentaram um risco de morte significativamente menor. A correlação entre longevidade e força muscular foi observada mesmo considerando características clínicas, atividade física e comportamento sedentário. Outro dado relevante é que a associação se manteve até entre mulheres que não atingiam os níveis recomendados de atividade física, indicando que a força muscular, por si só, é um importante preditor de longevidade.
Ainda conforme o estudo, esses achados sugerem que avaliar a força e promover sua manutenção são fundamentais para um envelhecimento saudável. Para Haydée Maria Rodrigues Pozzi, nutricionista com quase três décadas de atuação em programas de bem-estar, o dado científico apenas confirma o que já é observado no dia a dia. “Músculo não é estética, é autonomia. É o que permite que a pessoa mantenha independência ao longo da vida. Até para se levantar de uma cama de hospital, você precisa deles. Sem musculatura, você perde função”, afirma.

Embora a prática de atividade física, sobretudo da musculação, seja essencial, a nutricionista alerta que o fortalecimento muscular depende diretamente da forma como o corpo é nutrido. “Não adianta fazer exercício sem dar ao corpo o que ele precisa. O músculo precisa de nutrientes para se formar e se manter”, explica Haydée.

Segundo ela, um dos erros mais comuns é buscar soluções isoladas, como suplementação sem critério, sem ajustar a base alimentar. “A alimentação precisa vir primeiro. Suplemento não substitui comida. Ele entra quando há necessidade, não como regra”, diz.

Hábitos para a longevidade

Longevidade não é simplesmente aumentar a expectativa de vida, mas viver mais com saúde, autonomia e qualidade. Envolve cuidados diários com corpo e mente, alimentação equilibrada, atividade física e relações sociais. Segundo Haydée Pozzi, o ponto de partida não está apenas na alimentação, mas na consciência das escolhas.

“Tudo começa com atenção e intenção. Atenção ao que você compra, ao que você coloca no prato. E intenção de ser saudável, não apenas de ser magra, por exemplo. Compras saudáveis são decisivas. Se você comprar alimentos ultraprocessados, certamente vai consumi-los. A escolha acontece ali, não no prato”, destaca.

À frente do SPA Água Santa Saúde e Bem-Estar desde 1998, Haydée tem realizado um trabalho focado na construção de hábitos e no cuidado integral, unindo ciência, acompanhamento profissional e respeito ao ritmo de cada pessoa. A proposta é pensar em saúde, equilíbrio e consciência na prática, com foco em transformação consistente e mudança de hábitos ao longo do tempo.
Para quem está começando, o caminho não passa por intensidade, mas por constância. A nutricionista alerta que é fundamental respeitar o ponto de partida de cada um, sobretudo nos casos de sedentarismo. “Muitas vezes, a pessoa não consegue nem se movimentar direito. Então, começa na água, na piscina, onde já se inicia um fortalecimento muscular e o corpo responde melhor”, explica. A partir desse primeiro passo, o objetivo é evoluir gradualmente até incorporar o exercício na rotina, com cerca de 40 minutos diários de atividade moderada.
A especialista também chama atenção para fatores frequentemente negligenciados, como o convívio social. “Está comprovado que precisamos de interação. Dar risada, conversar, estar com outras pessoas. Isso impacta diretamente o bem-estar e até a produção de serotonina”, ressalta.

Esqueça a força de vontade

Para Haydée, o maior desafio não está na falta de informação, mas na dificuldade de colocar tudo isso em prática. “As pessoas sabem o que devem fazer, mas não fazem. Muitas vezes, ficamos atreladas à força de vontade, só que o problema é que a vontade nos leva para um caminho que não queríamos seguir”, comenta.
O segredo, segundo ela, é o comprometimento. “Não devemos esperar motivação para iniciar uma mudança de hábitos, o negócio é começar pelo compromisso com você mesma. É na repetição das pequenas escolhas, no que você come, no quanto se movimenta, no cuidado que tem com você mesma, que a sua saúde se constrói. E se for difícil começar, você pode até buscar apoio por algum tempo, para dar um start. A prática diária é o que leva à mudança de hábitos, mas é preciso tomar uma decisão”, conclui.

 

Mais informações: Assessoria de Imprensa - Suzana Amyuni