AMÉRICO PERIN
Sol, piscina, viagem em família… Tudo parece cenário perfeito para as férias. Mas, em meio a tantas opções, um detalhe chama atenção: muitas crianças parecem mais interessadas na tela do celular do que nas brincadeiras ao ar livre.
Pais e mães se veem diante de um desafio: como equilibrar o tempo de tela com momentos de lazer fora do digital? “A gente planeja passeios, mas eles querem saber se tem wi-fi”, brinca uma mãe de dois filhos.
Especialistas alertam que o excesso de celular pode transformar as férias e, em vez de descanso e novas experiências, a criança acaba ficando presa ao mesmo ciclo de vídeos e jogos.
Os pais podem perfeitamente buscar alternativas possíveis que propiciem o convívio social. A alegria de se interagir com outras crianças traz, sem dúvida, sensações de felicidade que são importantíssimas para a formação natural do ser humano, tal como ele é e deverá ser no futuro.
Jogos de tabuleiro, esportes e brincadeiras em grupo, passeios pelo campo, contato com animais, trilhas, piqueniques, passeios simples que despertam curiosidade. Quanta coisa a criança descobre por si, sem depender de algo que já venha pronto. Enfim: “ESTÍMULO À CRIATIVIDADE!!!!”
Não quero aqui dizer que a telinha do celular seja um mal que deva ser abolido, pois o avanço da tecnologia caminha a passos largos e as novas gerações cada vez mais terão de conviver com essa situação. Porém, o limite de tempo de tela, principalmente nas férias, vindo de acordos claros, ajuda a evitar conflitos e incentiva outras opções.
Antigamente, a grande vilã das férias era a televisão. “Vai ficar o dia inteiro na frente da telona da sala?”, ressoava como mantra em muitas casas. Mas, convenhamos, a TV tinha suas vantagens: estava lá, fixa, à vista de todos. Bastava o pai desligar da tomada e pronto — fim da novela e começo da bronca.
Hoje, o inimigo é portátil e sorrateiro. O celular cabe na palma da mão e se infiltra em qualquer cenário: piscina, restaurante, até no meio da trilha. É como se a tela tivesse virado um terceiro filho, sempre pedindo atenção. E, claro, sem botão de desligar na tomada.
Se antes bastava esconder o controle remoto, agora os pais precisam negociar como diplomatas da ONU. “Mais dez minutinhos, vai?” — e lá se vai meia hora. O celular virou aquele parente inconveniente que aparece sem ser convidado e nunca vai embora.
Para se evitar o descanso que não descansa, as férias deveriam ser sinônimo de sol, areia e histórias para contar. Mas, para muitas crianças, virou maratona de vídeos curtos e joguinhos repetitivos. Descanso? Só para os dedos que deslizam na tela.
Sugiro aos pais que compartilhem com os filhos brincadeiras como esconde-esconde, pega-pega… Tudo aquilo que não precisa de wi-fi.
Programas coletivos: cozinhar juntos, inventar histórias, até lavar o carro pode virar aventura.
E acordos com cláusula séria: “celular só depois da piscina” — quase um contrato internacional.
Concluindo: as férias continuam sendo tempo de memórias. A diferença é que agora os pais precisam disputar espaço com a telinha do bolso. E, cá entre nós, nada contra a tecnologia, mas quem vai lembrar com carinho de um vídeo visto em julho de 2026? Já a guerra de balão d’água no quintal, essa sim vira história para contar por muitos verões. As férias são oportunidades de criar memórias fora da tela.
O celular pode até acompanhar, mas não precisa ser o protagonista da história.
