AMÉRICO PERIN
Desde a década de 60 que o cantor pede, pede... Em todo Carnaval, a marchinha volta a ser cantada e nela vem o pedido... E vai ver não lhe deram, porque ele resolveu virar deputado e não precisou mais pedir... (hehehe).
Para mim, nunca foi estranha a veemência com que os partidos se engalfinham entre si e com o “governo da vez” para conseguir cargos em secretarias e autarquias. Nem tão pouco é estranho o fato dos candidatos “investirem” verdadeiras fortunas em suas campanhas eleitorais. Dinheiro que, de longe, nunca será recuperado pela sua remuneração caso sejam eleitos. E, se não forem eleitos, também parece não lhes irá fazer falta...
É claro, óbvio e evidente que eles agem assim porque são levados pelo enorme amor que têm pelo país, pela enorme vontade de servir à nação e, acima de tudo, pelo patriotismo inerente à nossa classe política. Vocês não acham? Eu tenho certeza disso. Sempre tive.
No entanto, não parece ser essa a opinião do pessoal da Operação Lava Jato... De uns tempos para cá, começaram a prender excelências, poderosos empresários, amigos do rei – vejam só que maldade. E os presos resolveram botar a boca na trombeta e estão deixando os brasileiros de cabelo em pé. Principalmente os que ocupam cargos públicos lá na “ilha da fantasia”. De repente, os delatores saíram trombeteando que lá está cheio de corruptos! Vejam só que absurdo! Eu não acredito. Ah! Gente maldosa...
Como pode ser verdade o que estão trombeteando esses delatores, se todos os partidos prestam contas dos gastos de suas campanhas à Justiça Eleitoral (sem falar no Tribunal de Contas da União) e, anos após anos, tudo vem sendo aprovado direitinho? É bem verdade que já ouvi um político dizer que lá há tribunais mais rigorosos e outros nem tanto e que as possibilidades de fraudar a contabilidade são tão grandes que, no fundo, a aprovação torna-se meramente formal. Já me foi dito também que os partidos podem examinar as contas uns dos outros, mas parece que isso nunca se deu de forma eficaz. Dizem até que não há interesse de nenhum partido para que isso aconteça e que todo sistema se baseia num tremendo “faz de contas” (desculpem o trocadilho).
Então, se isso for verdade, o que insisto, eu não acredito, os problemas do povo já começam nas eleições. Depois, continuam num emaranhado de sistemas de doações, licitações, comissões, “mensalões”, “petrolões”, Banco Master, trens superfaturados na compra, desvio de comida das criancinhas que deveriam ser alimentadas nas escolas - uma vez que seus pais não conseguem um emprego em que a remuneração do seu trabalho seja suficiente para comprar-lhes sequer comida...
E tudo vai pelo esgoto da falta de moral pública. Vai nesse esgoto, por exemplo, o dinheiro que poderia melhorar o nível de educação do nosso povo, que, diga-se de passagem, está trinta anos atrasado em relação ao Chile. Vai para o esgoto o serviço que deveria cuidar da saúde. Vai para o esgoto a nossa esperança...
Em verdade, em verdade, eu vos digo: Brasília, “ao soar da trombeta, de ti não restará pedra sobre pedra”. E, no seu lugar, surgirá uma enorme pizza azeda que, mais uma vez, o povo vai ter de engolir mesmo sem mastigá-la.
