Efeitos da baixa umidade do ar podem ser aliviados com cuidados básicos
Dermatologista alerta para os efeitos do tempo seco sobre a barreira de proteção da pele e orienta população sobre como evitar ressecamento e irritações
Ribeirão Preto e outras cidades do interior paulista enfrentam uma sequência de dias secos, com níveis de umidade do ar bastante abaixo do recomendado para a saúde – nesta quarta-feira, 19 de agosto, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém “alerta laranja”, de perigo, para baixa umidade, válido das 12h às 18h.
Para a saúde, quanto menor a umidade, maior tende a ser o desconforto provocado pelo ar seco. A pele também é diretamente afetada porque perde água com maior facilidade, podendo apresentar ressecamento, descamação, sensação de repuxamento, coceira e irritação. Além disso, a exposição ao sol sem proteção pode provocar queimaduras e agravar a irritação da pele. “A pele fica mais suscetível ao ressecamento e à irritação”, alerta o dermatologista Weber Coelho, mestre pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP.
Na região de Ribeirão Preto, os índices podem atingir níveis críticos. Nos últimos dias, a cidade chegou a registrar umidade próxima de 12%. A Defesa Civil também alerta que a região de Ribeirão Preto está entre as áreas do Estado mais afetadas pela combinação de calor e baixa umidade.
Sobre a umidade do ar
40% a 60%: faixa considerada confortável e adequada para a maioria das pessoas.
30% a 40%: ar mais seco, que favorece o ressecamento da pele, dos olhos e das mucosas.
Abaixo de 30%: baixa umidade, que pode causar irritação das vias respiratórias, especialmente em crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
Abaixo de 20%: o ar está muito seco e exige cuidados redobrados.
Nos alertas do Inmet – Instituto Nacional de Meteorologia, índices entre 20% e 12% estão associados a risco de incêndios florestais e efeitos importantes à saúde.
Orientações do dermatologista
Segundo Weber, alguns hábitos podem agravar os efeitos do tempo seco. Banhos muito quentes e demorados e o uso excessivo de sabonetes podem retirar parte da camada de proteção natural da pele.
“Não é preciso tomar banhos demorados nem usar sabonete em excesso. O ideal é optar por água morna, utilizar produtos suaves e aplicar hidratante logo depois do banho, quando a pele ainda está levemente úmida”, orienta.
O cuidado deve ser redobrado em áreas que costumam ressecar mais, como mãos, braços, pernas, cotovelos e joelhos. Pessoas que apresentam coceira intensa, vermelhidão, descamação persistente ou piora de alguma doença dermatológica devem procurar avaliação médica.
Entre os cuidados básicos durante períodos de baixa umidade, o dermatologista recomenda:
Evitar banhos muito quentes e demorados;
Usar sabonetes suaves e evitar o excesso;
Aplicar hidratante diariamente, preferencialmente após o banho;
Usar protetor solar e acessórios de proteção contra o sol;
Manter uma boa ingestão de água;
Evitar coçar áreas irritadas ou descamadas;
Procurar orientação dermatológica diante de sintomas persistentes.
Weber Coelho é médico dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e mestre em Dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Blanche Amancio Silva - blanche@textocomunicacao.com.br
