AMÉRIC PERIN
E a verdade foi oficialmente trazida a público. Vez ou outra, venho abordando esse assunto e ontem vimos nos noticiários da grande mídia o perigo, dentre muitos outros, a que nossa população está sujeita. A má formação profissional de grande quantidade dos nossos estudantes de Medicina. Segundo o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), cerca de um terço dos cursos de Medicina no Brasil obteve desempenho insatisfatório, confirmando que muitos recém-formados não estão preparados para tarefas básicas.
Em 2025, foram avaliados 351 cursos de Medicina e 89 mil estudantes em todo o país. E pasmem, caros leitores: quase 33% dos cursos ficaram abaixo do nível considerado adequado. A Associação Médica Brasileira (AMB) declarou “extrema preocupação” com os números, afirmando que a realidade da formação médica é gravíssima. Bem, antes tarde do que nunca... E depois da catastrófica realidade ser levada a público, o MEC resolveu “anunciar que tomará medidas de supervisão e regulação”. Então, reconhecendo “fragilidades importantes”, o MEC anunciou medidas de supervisão e regulação.
Já há alguns anos, “certas faculdades”, devidamente autorizadas a funcionar, vêm colocando nos hospitais e consultórios médicos recém-formados com dificuldade em interpretar exames básicos, como radiografias. Notou-se um aumento de faculdades sem infraestrutura adequada, muitas vezes abertas em regiões sem hospitais-escola suficientes em algumas delas. Muitos alunos recebem seus diplomas à custa de muitas provas teóricas que não exigem um conhecimento adequado e ainda por cima com quase nenhum treinamento prático.
Então, corroborando com minhas observações em crônicas anteriores, quando falava da fragilidade do Ensino Fundamental e Médio, a solução foi baixar o nível de exigências também nos vestibulares e currículos. Prático, não?! Em resumo: o problema não está apenas nas faculdades de Medicina, mas em toda a cadeia educacional brasileira. Bom fim de semana a todos...
