Diretor do CEISE Br, Paulo Saraiva, destaca visão de cadeia produtiva no avanço do biometano em Goiás

Diretor do CEISE Br, Paulo Saraiva, destaca visão de cadeia produtiva no avanço do biometano em Goiás
23/02/2026

O diretor do CEISE Br e CEO da PS7 Consultoria, Paulo Saraiva, participou do workshop “Oportunidades do Biometano para a Indústria e o Setor de Transporte”, promovido pela Secretaria-Geral de Governo (SGG) de Goiás, no dia 11, na Fieg/Casa da Indústria. Integrando a mesa-redonda “Biometano no transporte pesado: viabilidade econômica, desafios e oportunidades”, Saraiva acompanhou e contribuiu para os debates que evidenciaram o movimento estratégico do Estado para estruturar o mercado de biometano.

 

Sob a óptica de Saraiva, o principal eixo do encontro foi a decisão do governo estadual de priorizar o biometano dentro da agenda de bioenergia. Entre os diversos projetos do setor, o combustível renovável passou a receber atenção especial devido ao elevado potencial produtivo e à clara capacidade de geração de demanda no próprio Estado.

 

No campo da oferta, ele destacou que Goiás reúne condições particularmente favoráveis. A forte base agropecuária, com destaque para milho, soja e pecuária bovina, gera grande volume de resíduos orgânicos com alto potencial para produção de biogás e, consequentemente, biometano. Soma-se a isso o fato de o Estado ser o terceiro maior produtor nacional de etanol, o que implica disponibilidade significativa de vinhaça, um dos principais substratos para a geração do combustível renovável.

 

Do lado da demanda, Saraiva observou que os estudos apresentados no workshop apontaram vetores concretos de consumo. Um deles é o transporte público urbano, que já avalia o uso de biometano na frota em função de metas de descarbonização e de ganhos logísticos e econômicos. Outro fator estratégico é a posição geográfica de Goiás, situado no centro logístico do país, conectando rotas do Distrito Federal ao Norte, Nordeste, Triângulo Mineiro e São Paulo. “O intenso fluxo de caminhões cria oportunidade para implantação de corredores de abastecimento, atendendo tanto frotas locais quanto veículos em trânsito”.

 

Ele também ressaltou o papel da indústria, especialmente os setores de proteína animal, farmacêutico e mineração. Goiás é um dos maiores produtores de minerais do Brasil, incluindo minerais críticos para a transição energética, como o cobre. A atividade mineradora demanda grande volume de diesel em caminhões extrapesados e equipamentos de grande porte, o que abre espaço para substituição ou conversão para biometano, alinhando competitividade e descarbonização.

 

Para Saraiva, um dos pontos centrais do debate foi o desafio da infraestrutura. Embora Goiás ainda não esteja interligado à malha nacional de gasodutos, essa condição foi tratada como oportunidade estratégica: produzir e consumir o biometano dentro do próprio Estado reduz custos logísticos, minimiza perdas e fortalece um modelo regionalizado de desenvolvimento. Na avaliação apresentada, a combinação entre alta capacidade produtiva e forte potencial de consumo interno sustenta a viabilidade do projeto, mesmo antes da conexão plena à rede.

 

Mesa-redonda:

Durante a mesa-redonda, moderada por Bruno Pascon, sócio da CBIE Advisory, e que contou com a participação de Tatianne de Freitas, da Fuve Terraplenagem, e Gabriel Kropsch, da Sinergás, Saraiva trouxe a contribuição do CEISE Br a partir de uma visão estruturada de cadeia produtiva.

 

Segundo ele, o Estado já identificou os principais “ingredientes” do mercado — produção, processamento, logística de resíduos, distribuição, infraestrutura, transporte e consumo. O desafio, porém, está em integrar esses elos de forma sistêmica. “O biometano precisa ser tratado como uma cadeia completa”, destacou, enfatizando que os gargalos surgem justamente nas transições entre as etapas.

 

Com base na experiência acumulada pelo CEISE Br no setor sucroenergético, especialmente nas cadeias de etanol e açúcar, Saraiva compartilhou a importância de estruturar todos os elos, da indústria de base às engenharias, prestadores de serviço, transportadores e consumidores finais. Ele também mencionou a consolidação da Cadeia Produtiva Local (CPL) como exemplo de articulação que fortalece competitividade e segurança operacional.

 

Na avaliação do diretor, a contribuição da entidade foi oferecer essa visão integrada, essencial para garantir que produção, infraestrutura e consumo avancem de forma coordenada. Para ele, o workshop marcou um passo relevante na consolidação do biometano como vetor estratégico para Goiás, com potencial de retorno econômico, ambiental e industrial no médio e longo prazo.

 

 

Larissa Batistetti – Assessoria de Imprensa