CRISTIANE FRAMARTINO BEZERRA

CVV e Tai Chi Chuan
22/09/2025

Quando paro pra pensar nos mestres que a vida me trouxe, chega a ser difícil mencionar todos, em cada curso, em cada oficina literária, com os alunos do Aeroclube, nas atividades voluntárias nas penitenciárias... Graças a Deus, me considero extremamente rica de grandes e significativas experiências e aprendizados. De certa forma, sei que tudo pode nos ensinar, em todas as situações pelas quais passamos.

Porém, há dois destaques que preciso mencionar como referências especiais. O primeiro deles foi conhecer o “Tai Chi do Chico”... Lembro que a amiga Bia me convidou a participar, há muitos e bons anos. O grupo se reunia às quartas, a partir das 20h, numa academia de ginástica na César Vergueiro, sob a coordenação do Chico. Fui e de imediato me apaixonei por tudo. Pelas pessoas que frequentavam, pelo Tai Chi diferente, que não apresentava só a arte marcial milenar chinesa, praticada como uma forma de meditação em movimento, mas ao final da prática, havia uma roda de conversa para compartilharmos a experiência da noite e tomarmos um delicioso chá.

Minhas quartas foram tomadas por uma riqueza imensurável de aprendizados. O conhecimento que o Chico nos passava sobre culturas diversas, práticas diversas, fazia com que repensássemos conceitos antigos e arraigados à alma. Eu me vi sendo modificada aos poucos, pensando sobre os valores essenciais da existência, sobre o quanto movimento e silêncio deviam fazer parte da minha rotina. Enfim, foi um despertar de consciência, uma busca de equilíbrio gigante entre corpo, alma, mente e coração.

Muita coisa passou e aquele mestre de antes hoje enveredou por um caminho absolutamente distinto do que me ensinou à época, mas minha admiração e respeito seguirão para sempre. Estará sempre nas minhas melhores lembranças.

Outro grande momento de aprendizado foi quando me inscrevi para fazer o Curso de Seleção de Voluntários do CVV. Cheguei “chegando”, como dizem os mais jovens! Me achando plena e absoluta na condição de amiga incondicional, que seria uma excelente voluntária, porque sabia ser amiga e acolher como poucos.

Engano total. O curso, que acontecia durante toda a tarde dos sábados, fez com que minha “casa” da amizade fosse sendo derrubada, parede por parede. Eu ouvia o que me era passado e chorava! Chorava mesmo. Nem sei direito os sentimentos que afloravam a cada nova aula do curso, mas era acima de tudo indignação por mim mesma, por receber um conceito todo renovado do que era ser amigo... Aceitar incondicionalmente a outra pessoa com o que ela trazia e com o que era... Não interferir se a roupa ou o cabelo não fossem do meu agrado. Fui percebendo que eu era muito dona da verdade do que seria melhor para a vida dos outros. E que precisava fazer exatamente o contrário. Ver quem eu era primeiro e que tipo de amizade eu oferecia... O mais engraçado foi quando na avaliação do curso para passar ao estágio, um dos voluntários que me “sabatinavam” perguntou porque eu chorei tanto durante as aulas e eu expliquei que eles simplesmente me fizeram entender que eu não era a melhor amiga do mundo como eu pensava, que derrubaram toda a minha estrutura como uma casa com as paredes e o teto sendo destruídos para fazer uma nova, como não queriam que eu não chorasse... E assim, por sorte tive a chance de esclarecer meu choro, se não, provavelmente jamais teria sido aceita e sim atendida por eles!

A convivência com aquelas pessoas comuns, das mais diversas profissões ou “do lar’, ninguém com especialização alguma em determinadas áreas voltadas à psicoterapia ou psicologia (alguns poderiam até ser, mas não lá como voluntários), me fez compreender que acima de tudo o Amor é que acolhe, escuta com atenção e carinho, sem interferências desnecessárias.

Claro que mesmo convivendo com reuniões, cursos de aperfeiçoamento e muito conversa, aprendi que leva uma vida toda para a gente ser melhor...

Há tempos, deixei de ser voluntária no CVV ou de praticar Tai Chi, mas os ensinamentos que recebi nestas escolas fantásticas me acompanham onde quer que eu vá.

Óbvio que tenho muito o que aprender e melhorar como ser humano, mas penso que alguns valores, muitos que vieram da família linda que tive o privilégio de nascer, pai e mãe caridosos desde sempre, irmãos fraternos e amigos, me fazem querer dar um passo de cada vez e respeitar mestres espirituais, grandes seres que nos legaram suas vidas de amor ao próximo e toda a vida que me cerca!

Há sempre uma nova lição e um novo mestre à espreita. Basta que a gente se permita receber, se conectar e aprender!

Muito Amor e Luz pra você!

 

Cristiane Framartino Bezerra

Historiadora de Religiões, Escritora, Cerimonialista, Celebrante, Produtora Cultural, Angelóloga

Atendimento Angélico Presencial em Ribeirão Preto e Sertãozinho e a distância, agendar pelo Whats: 16 99994 1696