BETO BELLINI
A corrupção no Brasil deixou de ser apenas um problema ético ou moral: tornou-se um fardo econômico gigantesco. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas, o país perde anualmente entre 1% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em práticas corruptas. Com o PIB estimado em R$ 10 trilhões, isso representa aproximadamente R$ 300 bilhões por ano. Para se ter uma ideia, esse valor supera o orçamento anual de ministérios inteiros, como Educação ou Saúde.
Se projetarmos esse cenário para as últimas quatro décadas, o montante acumulado de recursos desviados ultrapassa R$ 12 trilhões, em valores atualizados. Esse dinheiro poderia ter financiado hospitais, escolas, estradas e programas sociais, mudando radicalmente o patamar de desenvolvimento do país. Em vez disso, a corrupção perpetua desigualdades e mina a confiança da população nas instituições.
O país é visto como mais corrupto do que a média das Américas e do mundo. E isso vem sendo passado de um governo para o outro. Essa percepção afeta diretamente a capacidade de atrair investimentos estrangeiros e compromete a credibilidade internacional.
Além do impacto econômico, a corrupção corrói a confiança da sociedade. Ela gera descrença na política, alimenta o cinismo e dificulta a mobilização social por mudanças. O cidadão comum sente os efeitos na forma de serviços públicos precários, obras inacabadas e falta de medicamentos em hospitais. Cada desvio de verba pública é, na prática, um direito negado.
É necessário fortalecer instituições de controle, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU), garantir transparência em programas de investimento, evitando ingerência política e falta de fiscalização. Aprimorar mecanismos de acesso à informação, assegurando que a sociedade possa acompanhar o uso dos recursos públicos, mudar a cultura política, com maior valorização da ética e da responsabilidade pública.
O custo da corrupção no Brasil é medido em cifras astronômicas, mas também em vidas prejudicadas e oportunidades perdidas. Enquanto o país desperdiça centenas de bilhões de reais por ano, milhões de brasileiros continuam sem acesso a serviços básicos. Combater a corrupção não é apenas uma questão de justiça: é uma condição indispensável para o desenvolvimento e para a reconstrução da confiança social.
Porém, não podemos esquecer que existem duas faces da moeda: se alguém é corrompido, existe outro que corrompe. As formas de corrupção variam, mas incluem o suborno, extorsão, fisiologismo, nepotismo, clientelismo e peculato. As atividades que constituem corrupção ilegal diferem por país ou jurisdição. Por exemplo, certas práticas de financiamento político que são legais em um lugar podem ser ilegais em outro. Em alguns casos, funcionários do governo ter poderes amplos ou mal definidos, o que torna difícil distinguir entre as ações legais e as ilegais.
Afirmam alguns autores que não existe corrupção política sem haver corrupção social. Primeiro, a sociedade se corrompe para posteriormente corromper o Estado. A corrupção social se apresenta sempre que os indivíduos não possuem desinteresse individual, ou seja, quando não conseguem sacrificar um interesse particular em prol do interesse coletivo. Ao inflacionar o custo dos negócios, a corrupção diminui a disponibilidade de bens e serviços à sociedade. Ao diminuir o jogo capitalista da competição entre empresas, ela também aumenta os custos dos bens e serviços, diminuindo sua disponibilidade aos cidadãos
Se associarmos isso à imagem de uma bola de neve que cresce rápida e assustadoramente, não exageraremos. Do mesmo modo, justificar-se dizendo que “todos fazem” e que “sozinho não posso mudar nada” só aumenta as possibilidades de o problema perdurar. Novos valores se avizinham, o momento é de mudança.
Prof. Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor do curso de Gestão Empresarial da Fatec Sertãozinho e da Unip RP, faz parte da ASEL - Academia de Letras de Sertãozinho.
