BETO MELLINI

10/11/2025

A COP 30, conferência mundial do clima marcada para 2025 em Belém, coloca o meio ambiente no centro das discussões. Mas a verdade é que nenhuma transformação acontece apenas nas grandes mesas de negociação. As mudanças reais começam dentro de casa, ou melhor, dentro das cidades. Por isso, cada município, independentemente do tamanho, pode promover sua própria mini COP 30, reunindo moradores, empresas, escolas e governo local para pensar soluções práticas.

Algumas ideias simples e viáveis para que cada cidade organize sua versão municipal da conferência do clima.

Criar um dia municipal do clima: A prefeitura pode instituir oficialmente uma data anual para tratar do tema, com eventos em escolas, praças e centros culturais. Essa data serve como ponto de partida para envolver a população, apresentar projetos e discutir problemas locais.

Promover debates abertos com a comunidade: um dos maiores trunfos da COP é reunir diferentes vozes. As cidades podem replicar isso organizando rodas de conversa sobre temas como manejo do lixo, enchentes, áreas verdes, mobilidade urbana e consumo consciente de energia.

Essas reuniões podem acontecer nos bairros, aproximando as demandas da população das decisões do poder público.

Mapear os desafios ambientais locais: antes de propor soluções, é importante entender o problema. A cidade pode montar um diagnóstico simples, identificando onde ocorrem alagamentos, quais bairros têm menos árvores, como está a coleta seletiva, quais pontos recebem descarte irregular de resíduos. Esse levantamento pode ser feito com a participação de estudantes, voluntários e associações de bairro.

Envolver escolas e universidades: a educação é peça-chave. As instituições de ensino podem promover feiras de ciências com projetos de sustentabilidade, mutirões de limpeza, monitoramento de rios e praças, campanhas de economia de água e energia. Isso ajuda a formar cidadãos mais conscientes e engajados.

Convidar empresas locais: uma mini COP 30 só funciona se o setor privado também participar. As empresas podem apresentar iniciativas de redução de resíduos, adotar programas de reciclagem, apoiar ações ambientais em escolas e bairros, e firmar compromissos de sustentabilidade. Muitas já têm interesse em melhorar sua imagem ambiental e podem ser grandes parceiras.

Estimular ações práticas e imediatas: plantar árvores em ruas e praças, instalar lixeiras de coleta seletiva em pontos estratégicos, criar outros ecopontos para descarte correto de eletrônicos e entulho, incentivar hortas comunitárias e fortalecer ciclovias e ciclorrotas.

Assim como na COP global, o município pode anunciar metas simples, como aumentar a arborização em X%, reduzir pontos de descarte irregular, ampliar a reciclagem, diminuir consumo de energia em prédios públicos. E, no ano seguinte, apresentar os resultados à população. Transparência gera confiança.

Para que a iniciativa não seja algo pontual, a cidade pode repetir o evento todos os anos. Assim, a cada edição, novos problemas e soluções surgem, permitindo ajustes e avanços contínuos.

Quando uma cidade organiza sua própria COP 30, ela estimula a participação das pessoas, valoriza o debate público e acelera a implementação de medidas reais. Pequenos passos feitos por muitos municípios têm força para transformar o país.

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor do curso de Gestão Empresarial da Fatec/STZ e da Unip/RP.

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