AMÉRICO PERIN

31/01/2026

Lá pelos idos de 1964, o máximo da tecnologia era soprar a fita do videogame para funcionar. Hoje, se o Wi-Fi cai por cinco minutos, parece que estamos vivendo um apocalipse. O telefone fixo – ainda existe alguém que os tenha em casa ou no escritório – foi gradativamente trocado pelo celular, que agora é uma extensão do nosso corpo. Essa maquininha mudou nosso modo de vida. Se antes servia só para falar, hoje cancelou a necessidade de se decorar números, mas em compensação temos que decorar senhas e mais senhas...

Naquele tempo, ir ao banco era uma aventura: fila, senha, café frio na recepção. Agora não. Tudo é “digital”. Mas continuamos sem entender as tarifas e descobrimos que pagamos por um serviço que nunca pedimos. Mudou o cenário, mas a confusão é a mesma. E os encontros? Antes, a gente combinava na praça e esperava meia hora porque “o relógio estava atrasado”. Hoje, a desculpa é que o GPS errou o caminho. A tecnologia evoluiu, mas a pontualidade continua em extinção.

No fim, o mundo gira, as coisas mudam, mas a gente segue igual: reclamando, improvisando e fingindo que entende os termos de uso que nunca leu. Aconteceram as “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”, realizadas em março de 1964. Foram manifestações organizadas por setores conservadores da sociedade brasileira contra o governo de João Goulart, vistas como um apoio ao golpe militar que se consolidaria dias depois. Elas reuniam milhares de pessoas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, defendendo valores cristãos, a propriedade privada e a intervenção militar para barrar o que consideravam ameaça comunista.

Hoje, as principais avenidas das cidades do Brasil também viveram momentos de protestos, “motociatas” e “carreatas”. Deram força aos reclames do povo. Pessoas foram presas e algumas com sentenças enormes (vide o caso do batom). Milhares de pessoas se manifestaram desarmadas, sem assaltos a bancos, sem incendiarem ônibus que levavam trabalhadores para o serviço etc etc. E um deputado, jovem ainda, organizou uma marcha que, saindo de Minas Gerais, foi ganhando adeptos pela estrada e chegou na Capital do País para protestar sobre certas prisões. E por tabela, também contra corrupção, que, segundo os caminhantes, incomoda todo mundo... Semana que vem, esta crônica deverá voltar ao tema. Ou não...