BETO BELLINI

01/12/2025

Dicas para fazer 2026 render financeiramente

Em dias de recebimento do décimo terceiro salário, sempre surge uma empolgação extra. Do consumidor que acha que poderá comprar tudo que sempre sonhou e do comerciante que esperou o ano inteiro para fazer bons negócios e salvar o caixa de sua empresa. Divido com vocês algumas dicas básicas para ter dinheiro no bolso nesse fim de ano e se preparar para realizar os objetivos definidos para 2026. Planejamento financeiro ainda é mais garantido do que simpatia.

Para não extrapolar as despesas de fim de ano e garantir recursos para o ano novo, deve evitar compras por impulso. Os consumidores devem se fazer algumas perguntas antes de comprar: Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima? Se não comprar isso hoje, o que acontecerá? Tenho dinheiro para comprar à vista? Se comprar a prazo, terei o valor das parcelas? O acúmulo de parcelas coloca em risco a realização dos sonhos que foram priorizados com a família?

Planejamento do fim de ano: liste os ganhos do período (renda e ganhos extras como 13º, bonificações e férias). Liste todas as despesas – fixas e variáveis. Avalie sua situação financeira. Há margem para novos gastos? Há pendências financeiras? Faça um esforço para identificar excessos, que geralmente representam 30% das despesas das famílias brasileiras. Avalie quanto poderá reservar para comprar presentes, artigos das festas de fim de ano, preferencialmente à vista. Evite a todo custo entrar no limite do cheque especial e pagar a parcela mínima do cartão de crédito. Reserve parte do décimo terceiro para as despesas do início do ano, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar. Cuidado ao parcelar viagens. Pense: será que vale a pena passar dificuldades o ano todo por alguns dias de diversão? Será que uma viagem mais barata e dentro do orçamento não trará satisfação?

Planejamento financeiro de 2026: é fundamental evitar parcelamentos das compras de final do ano. Na empolgação do consumismo típico da época, esquece-se que os rendimentos extras, também típicos do período, não persistirão pelo ano seguinte. Porém, se o parcelamento for inevitável, faça uma planilha em que o valor já comprometido esteja previsto nos meses correspondentes. Sem esse controle, é certo o acúmulo de dívidas e o risco da inadimplência. É assim que se inicia o ciclo de endividamento que afasta a realização daquilo que realmente traz satisfação e agrega valor à vida das pessoas. Por isso, reúna-se com a família para definir os desejos de curto (um ano), médio (até cinco anos) e longo (mais de 10 anos) prazos ou aqueles que se pretende realizar ano que vem e incorpore o valor mensal necessário para a realização dos mesmos no orçamento do próximo ano. Subtraia o valor desses sonhos da receita. O saldo restante é o orçamento para as demais despesas mensais.

Para economizar e poupar, sempre deve pesquisar preço e comprar à vista. Tudo que se compra em prestações, paga-se mais caro. Já quem pesquisa o melhor preço paga menos e aumenta a chance de comprar à vista e obter desconto. 

Se um produto custa mil reais e pode ser parcelado em 10 vezes de 100 reais, certamente à vista custará de 10% a 20% menos. Não tenha vergonha de pedir desconto, de pechinchar.

Regra de ouro, que exige sacrifício: reter 10% dos rendimentos, para começar a construir a independência financeira. Com o tempo, pode-se partir para um plano de previdência privada para complementar o INSS.

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em administração, professor da Fatec/STZ e da Unip/RP, membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL