Banco Central anuncia novidades no PIX; especialista explica mudanças e alerta sobre novos golpes

Banco Central anuncia novidades no PIX; especialista explica mudanças e alerta sobre novos golpes
15/12/2025

MED 2.0: mais prazo para denunciar fraudes e devolução mais rápida

Durante a entrevista, Renato destacou a criação do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), que passou a valer em agosto de 2025 e representa a maior atualização do sistema desde a criação do PIX.

Segundo ele, a principal mudança é o prazo ampliado para denúncias de golpes.

“O usuário vai ter até 80 dias para acusar uma eventual fraude ou golpe que tenha sofrido”, explicou.

Além disso, as instituições financeiras terão um prazo menor para responder ao cliente:

“Agora, os bancos terão até 7 dias para dar uma devolução ou uma resposta em relação ao pedido”, afirmou Renato.

 Rastreamento mais eficiente do dinheiro

Outra novidade considerada fundamental é a ampliação da capacidade de rastreamento das transações suspeitas. Antes, golpistas costumavam transferir rapidamente o dinheiro recebido de uma conta para outra, passando por várias instituições, na tentativa de dificultar o bloqueio. O novo sistema permite que todas as instituições financeiras operem de forma integrada. “Se o golpista transferiu o dinheiro da conta 1 para a 2, depois para a 3 e assim por diante, o Banco Central agora vai conseguir seguir o caminho de conta a conta. Ele vai literalmente seguir o dinheiro”, destacou o representante do Sicoob Cocred.

A mudança deve facilitar investigações e aumentar as chances de recuperação dos valores desviados.

 Golpes utilizando CPFs de pessoas falecidas

Renato também revelou um golpe pouco divulgado, mas que se tornou comum nos últimos anos: a criação de chaves PIX usando CPFs de pessoas que já faleceram. “O crime organizado estava conseguindo pegar CPFs de pessoas que já haviam falecido, cadastrava uma chave PIX vinculada àquele documento e transacionava normalmente”, relatou.

Isso acontecia porque muitos usuários utilizam o próprio CPF como chave PIX, e sistemas antigos não verificavam automaticamente a situação cadastral na Receita Federal.

 Integração com a Receita Federal impede nova fraude

Para barrar esse tipo de golpe, o Banco Central implementou uma integração direta com a base de dados da Receita Federal. Agora, ao tentar cadastrar uma chave PIX, se o CPF estiver cancelado, irregular, ou pertencente a pessoa falecida, o sistema simplesmente não permite a criação da chave.

“O PIX já está fazendo uma consulta imediata à Receita Federal. Se o CPF não estiver regular, a chave não pode ser criada”, explicou Renato.

 Atualizações reforçam a segurança do sistema

As mudanças anunciadas fortalecem o compromisso do Banco Central com a segurança dos usuários e com a redução de golpes financeiros, especialmente em um momento em que o PIX se consolida como o meio de pagamento mais utilizado do país. Renato reforçou que a população deve continuar atenta a golpes, mas que as melhorias aumentam significativamente a proteção e dão mais tempo para que vítimas possam agir.