Atividades lúdicas aproximam pais e filhos, e combatem o uso excessivo de telas nas férias
Desconexão digital estimula o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças durante o recesso escolar.
O recesso escolar costuma acender um alerta nos lares brasileiros: o aumento do tempo em que as crianças passam diante de televisores, tablets e smartphones. Para reverter esse cenário e transformar o período de descanso em uma oportunidade de desenvolvimento saudável, o estímulo a atividades lúdicas e longe dos dispositivos digitais ganha protagonismo em julho. A iniciativa visa não apenas preservar a saúde mental e física dos pequenos, mas também fortalecer os vínculos afetivos familiares por meio do brincar analógico.
A infância atualmente enfrenta o desafio do sedentarismo digital. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de telas por crianças entre 2 e 5 anos não deve ultrapassar uma hora por dia, enquanto para menores de 2 anos a recomendação é zero. O isolamento digital prolongado pode afetar o sono, a capacidade de concentração e a socialização dos indivíduos em fase de crescimento. Substituir os estímulos luminosos das telas por interações reais é fundamental para que o cérebro infantil desenvolva habilidades motoras e de resolução de problemas de forma natural.
O resgate de brincadeiras tradicionais e o contato com a natureza funcionam como potentes ferramentas pedagógicas. Atividades simples, como jogos de tabuleiro, leitura de histórias, pintura e a criação de brinquedos com materiais recicláveis, estimulam a criatividade e a resiliência. Essas práticas exigem que a criança lide com regras, o tempo de espera e a frustração, elementos que o imediatismo dos jogos virtuais costuma camuflar.
"As férias escolares são o momento perfeito para desacelerar da rotina acadêmica, mas isso não significa transferir o tempo de tela para o ambiente virtual de forma irrestrita. O brincar é a linguagem principal da criança; é como ela compreende o mundo. Quando propomos atividades manuais, jogos coletivos ou simplesmente um tempo de ócio criativo, estamos ajudando a desenvolver a coordenação motora, a empatia e a autonomia que os vídeos rápidos da internet não conseguem oferecer", afirma Léia Fernandes, professora do curso de Pedagogia da Estácio.
Dicas práticas de atividades para fazer em casa
Para ajudar os pais na missão de desconectar as crianças, algumas práticas simples podem ser adotadas no dia a dia do lar:
Acampamento na sala: Monte uma cabana utilizando lençóis, cadeiras e almofadas. A atividade estimula a imaginação e se torna um espaço perfeito para contação de histórias.
Cozinha divertida e pedagógica: Chame as crianças para preparar receitas simples, como biscoitos ou bolos. Medir os ingredientes ajuda a trabalhar noções de matemática e coordenação de forma prazerosa.
Oficina de reciclagem: Separe caixas de papelão, rolos de papel higiênico e tampinhas para criar novos brinquedos. A prática exercita a criatividade e a consciência ecológica.
Caça ao tesouro doméstica: Esconda um objeto pela casa e crie pistas em papéis para que as crianças desvendem as pistas até encontrá-lo, estimulando o raciocínio lógico.
LEGENDA:
Léia Fernandes, professora do curso de Pedagogia da Estácio
