AMERICO PERIN

17/08/2026

Conta-se que, desde os tempos em que Jesus andava pela Terra, existia entre os apóstolos um que era mais saidinho.

Jesus vivia a chamar-lhe a atenção, mas nada conseguia fazê-lo mudar. Era seu gênio dizia-se; Ele não era mau, mas carecia de tempos e tempos ser chamado a atenção por alguma coisa que se contradizia com os ensinamentos do Mestre.

Entre outras coisas, certa vez cortou a orelha de um romano e o mestre teve de recolocá-la no lugar. Dizem até que ele negou o Mestre num momento crucial das atitudes dos soldados romanos. Mas, mesmo assim, até hoje se diz que era o preferido do Senhor...

Eu, particularmente, não aceito essa referência, pois o Mestre amava e ama a todos de maneira igual até hoje.

Mesmo depois da sua morte na cruz, seus ensinamentos continuam a ser passados de geração a geração. Mas claro que os homens com seus defeitos partiram para um racha e, misturando fatos religiosos com seus interesses particulares, dividiram-se na forma de interpretá-los, culminando com desentendimentos entre si e criaram várias “igrejas”. Cada uma louvando o mesmo Deus, porém, antagônicas entre si, cada uma dizendo que o “seu Deus” é o verdadeiro... Dá para entender isso?

Talvez com intuito de deixar claro quem era o “chefe”, certa vez Jesus reuniu os apóstolos, disse-lhes que para fazer uma penitência, cada um deles pegasse uma pedra e a carregasse até o topo de uma montanha. Eles assim o fizeram, cada um pegou uma pedra enorme e a carregou morro acima, mas Pedro, espertinho, pegou um pedregulho, colocou-o no bolso e subiu a ladeira, obviamente chegando primeiro que os demais.

Como chegaram no alto do morro cansados e com fome, Cristo fez um milagre e as pedras se transformaram em pão. Todos saciaram sua fome, menos Pedro, que comeu seu pãozinho diminuto. Desceram o morro felizes e satisfeitos, menos Pedro, que calado remoía seus pensamentos recriminando-se por ser “diferente” dos demais.

Mas como na vida sempre existe uma segunda oportunidade, dias após, Pedro, ainda carrancudo devido sua culpa, ouviu que Jesus dera a mesma ordem para os apóstolos e desta vez carregou a maior pedra que encontrou. Claro que foi o último a chegar no cume da montanha, arfando de dores no corpo e cansaço. Então, quando todos já estavam juntos lá em cima, o Mestre ordenou que todos jogassem sua pedra morro abaixo, dando a penitência como cumprida.

Moral da história: A verdadeira penitência não está em buscar vantagens ou recompensas, mas em obedecer e confiar. Às vezes, o esforço não gera benefício imediato, mas molda o caráter e ensina humildade.

Esse contraste entre a primeira e a segunda experiência de Pedro mostra que a fé não é sobre calcular ganhos, mas sobre entrega e confiança no Mestre.