Agosto Dourado chama atenção para o cuidado com quem amamenta
Campanha dedicada ao aleitamento materno reforça a importância de informação, apoio emocional e respeito às diferentes experiências da maternidade
Durante o Agosto Dourado, mês de conscientização sobre a importância do aleitamento materno, grande parte das orientações se concentra nos benefícios da amamentação para o bebê. A campanha, no entanto, também pode ampliar o olhar para quem está do outro lado desse cuidado: a mulher que atravessa as transformações físicas, emocionais e de rotina que acompanham a chegada de um filho.
Embora a amamentação possa representar um período de proximidade e conexão entre mãe e bebê, nem sempre o processo acontece da forma imaginada durante a gestação. Dificuldades, insegurança, cansaço e expectativas elevadas podem tornar essa fase mais desafiadora.
Para a professora de Psicologia da Estácio Andresa Souza, falar sobre aleitamento também significa reconhecer que cada mulher vive essa experiência de maneira particular.
“A maternidade costuma vir cercada de muitas expectativas sobre como a mulher deve agir e se sentir. Quando a realidade não corresponde a esse modelo idealizado, ela pode começar a questionar a própria capacidade e experimentar sentimentos de culpa ou frustração”, explica.
Por isso, o incentivo à amamentação precisa estar acompanhado de acolhimento. Mais do que estabelecer padrões, familiares e pessoas próximas podem contribuir oferecendo ajuda concreta, espaço para diálogo e respeito às necessidades daquela mulher.
“Uma rede de apoio não é importante apenas para ajudar nos cuidados com o bebê. Ela também precisa olhar para essa mãe, perguntar como ela está e perceber quando ela precisa descansar, conversar ou simplesmente ser ouvida sem julgamentos”, afirma Andresa.
A psicóloga ressalta ainda que a construção do vínculo afetivo com o bebê não está limitada à amamentação. O vínculo se desenvolve gradualmente nas interações cotidianas, no cuidado, no contato, na atenção e na capacidade de responder às necessidades da criança.
Essa compreensão é especialmente importante para mulheres que, por diferentes motivos, não conseguem amamentar ou precisam interromper o aleitamento antes do período desejado.
“Quando colocamos toda a ideia de vínculo sobre a amamentação, podemos gerar uma cobrança desnecessária. Existem muitas formas de estabelecer proximidade, segurança e afeto na relação com o bebê”, destaca.
O período pós-parto também envolve uma profunda reorganização da vida. Alterações no sono, novas responsabilidades e mudanças na dinâmica familiar podem aumentar a sobrecarga emocional, o que torna ainda mais importante que a saúde mental da mulher faça parte dos cuidados dessa fase.
Nesse sentido, o Agosto Dourado pode servir não apenas para estimular o aleitamento materno, mas também para fortalecer uma mensagem de apoio às mães: informação e incentivo são fundamentais, mas precisam caminhar junto com escuta, empatia e respeito.
“Cuidar da mulher também é uma maneira de cuidar do bebê. Quanto mais amparada ela estiver, maiores são as possibilidades de atravessar esse período com segurança emocional e encontrar as melhores escolhas para a realidade da sua família”, conclui Andresa Souza.
LEGENDA:
Andresa Souza, professora de Psicologia da Estácio
