A prisão de Nicolás Maduro: quando a tirania finalmente encontra seus limites
A prisão de Nicolás Maduro marca um divisor de águas na história recente da América Latina. Não se trata de boatos ou interpretações ambíguas, mas de um fato político e jurídico que encerra, ainda que tardiamente, um dos regimes mais violentos, corruptos e repressivos do continente.
Durante mais de uma década, a Venezuela foi governada por um projeto de poder que aniquilou as instituições democráticas, destruiu a economia e transformou o Estado em instrumento de perseguição política. Sob Maduro, o país tornou-se um regime autoritário sustentado por forças armadas politizadas, serviços de inteligência usados para tortura e grupos paramilitares conhecidos como colectivos.
A repressão foi método, não exceção. Protestos pacíficos foram reprimidos com violência letal. Organizações internacionais documentaram execuções extrajudiciais, tortura sistemática e prisões arbitrárias em larga escala. Como observou Ronald Reagan, ao comparar sistemas políticos opostos, o capitalismo pode erguer muros para conter a imigração ilegal, mas o comunismo ergue muros para aprisionar seu próprio povo, uma constatação que encontra eco trágico na experiência venezuelana.
Entre as vítimas está Génesis Carmona, ex-Miss Turismo Carabobo, assassinada em 2014 enquanto participava de um protesto contra o governo. Sua morte simboliza a brutalidade de um regime que respondeu à dissidência com balas.
No campo eleitoral, Maduro promoveu fraudes sucessivas, excluindo opositores, censurando a imprensa e utilizando a máquina estatal para perpetuar-se no poder. As eleições tornaram-se meros rituais de legitimação de uma ditadura.
Paralelamente, o regime foi acusado de envolvimento direto com o narcotráfico internacional e esquemas de corrupção. Maduro foi indiciado por autoridades estrangeiras por liderar uma organização criminosa transnacional.
Nada disso ocorreu em isolamento. O regime contou com redes de apoio político e ideológico no plano internacional, que ajudaram a relativizar ou silenciar denúncias de violações de direitos humanos, contribuindo para a longevidade de um governo já amplamente desacreditado.
O resultado foi devastador: milhões de venezuelanos forçados ao exílio, colapso econômico e destruição institucional. A prisão de Maduro não é perseguição política, mas responsabilização histórica.
A reconstrução da Venezuela exigirá verdade, justiça e memória. Ditaduras não caem apenas quando perdem o poder, mas quando seus crimes são finalmente reconhecidos e julgados. Em regimes onde a liberdade é suprimida, resta ao indivíduo a consciência trágica de que viver sem liberdade é uma forma lenta de morrer e, por vezes, morrer parece menos cruel do que existir sem ela.
Paulo Roberto Garcia
