BETO BELLINI

15/06/2026

Em diferentes países e sistemas políticos, há uma característica que se repete em certos líderes: a incapacidade de sentir empatia. Essa falha humana, que deveria ser incompatível com o exercício da vida pública, transforma a política em um palco de interesses pessoais, onde o bem comum é relegado a segundo plano.

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreender suas dores, necessidades e esperanças. Sem ela, governar se torna um exercício frio de cálculo, em que decisões são tomadas apenas para garantir poder, prestígio ou enriquecimento. O resultado é previsível: políticas públicas que não atendem às demandas da população, discursos vazios e uma crescente desconfiança da sociedade em relação às instituições.

O problema não é exclusivo de um país, estado, cidade ou de um regime. Em democracias e ditaduras, em sistemas parlamentares ou presidenciais, surgem figuras que enxergam o cargo como propriedade privada. São políticos que se alimentam da máquina estatal, mas não devolvem à sociedade o que dela recebem. A perversidade está justamente em ignorar que cada decisão política afeta vidas reais, famílias, trabalhadores, jovens, idosos.

Essa ausência de empatia gera consequências profundas. A desigualdade se perpetua, crises sociais se agravam e a sensação de abandono cresce. Quando líderes não conseguem enxergar além de seus próprios interesses, a política deixa de ser instrumento de transformação e passa a ser mecanismo de manutenção de privilégios.

O desafio para as pessoas é reconhecer esse padrão e exigir mais dos seus representantes. A política não pode ser apenas técnica ou estratégia; precisa ser também humanidade. Sem empatia, não há justiça. Sem justiça, não há democracia que se sustente.

 

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.