BETO BELLINI

31/08/2026

Em 26 de agosto, lembramos o nascimento de Madre Teresa de Calcutá, uma das figuras mais marcantes do século XX quando falamos de solidariedade, compaixão e serviço ao próximo. Nascida em 1910, em Skopje, ela dedicou sua vida aos pobres, aos doentes, aos abandonados e àqueles que muitas vezes eram invisíveis aos olhos da sociedade.

Sua obra nos deixou uma pergunta que continua extremamente atual: de que o ser humano realmente tem fome?

Vivemos em um mundo capaz de produzir alimentos, tecnologia, riquezas e conhecimento em proporções jamais imaginadas. E, ainda assim, milhões de pessoas continuam enfrentando a fome material. Mas existe também uma outra fome, talvez menos visível e igualmente dolorosa: a fome de amor, de atenção, de acolhimento, de respeito e de pertencimento.

Há pessoas que não precisam apenas de um prato de comida. Precisam que alguém pergunte como estão. Precisam ser ouvidas. Precisam de um abraço, de uma palavra de incentivo, de alguém que lhes diga: “você importa”.

Madre Teresa compreendeu que a assistência ao próximo não deveria ser apenas uma ação institucional ou uma responsabilidade atribuída a governos, igrejas, organizações sociais ou voluntários. Ela acreditava na força do gesto individual, na capacidade que cada pessoa tem de fazer alguma coisa para diminuir o sofrimento de quem está ao seu lado.

Não precisamos esperar grandes oportunidades para praticar o bem. Podemos começar dentro de casa, com nossa família; no trabalho, tratando as pessoas com respeito; na rua, ajudando quem precisa; na comunidade, participando de ações solidárias; e, principalmente, aprendendo a olhar para o outro com mais humanidade.

Às vezes, queremos mudar o mundo inteiro, mas esquecemos de transformar a pequena parte do mundo que está ao alcance de nossas mãos.

É fácil reclamar da falta de solidariedade no mundo. Mais difícil é perguntar: o que eu estou fazendo para torná-lo um pouco melhor?

Podemos doar alimentos. Podemos oferecer nosso tempo. Podemos visitar alguém que está sozinho. Podemos ajudar uma família em dificuldade. Podemos participar de projetos sociais. Podemos ensinar, ouvir, acolher e compartilhar. E podemos, sobretudo, deixar de tratar a dor dos outros como um problema que não nos pertence.

Em tempos de tantas divisões, agressividade, intolerância e indiferença, precisamos recuperar a capacidade de enxergar o ser humano antes das diferenças. Antes da religião, da posição social, da opinião política, da profissão ou de qualquer outra classificação, existe uma pessoa que sente, sofre, sonha e precisa, assim como todos nós, de dignidade e afeto.

Fome de alimento, certamente. Mas também fome de esperança. Fome de justiça. Fome de respeito. Fome de carinho. Fome de uma mão estendida.

Que a lembrança de Madre Teresa de Calcutá não seja apenas uma homenagem a uma mulher extraordinária, mas um convite à ação.

Talvez não consigamos mudar o mundo inteiro. Mas podemos mudar o mundo de alguém. E, quando fazemos isso com amor, já começamos a transformar o mundo.

 

Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL Academia Sertanezina de Letras e da Rabugentos Cia Teatral.