1º de maio: a escolha entre conflito e prosperidade

1º de maio: a escolha entre conflito e prosperidade
04/05/2026

O 1º de maio é feriado em mais de 80 países, incluindo o Brasil, porém não nos Estados Unidos. A diferença, à primeira vista curiosa, revela algo muito mais profundo: não se trata de calendário, mas de mentalidade.

Há duas formas de enxergar o trabalho e elas produzem dois tipos muito diferentes de sociedade.

De um lado, o trabalho como conflito.

De outro, o trabalho como motor de prosperidade.

 

A origem: quando o trabalho era tensão

No fim do século XIX, o mundo industrial avançava mais rápido do que suas instituições. Jornadas exaustivas, condições precárias e ausência de direitos eram a regra.

Foi nesse ambiente que, em 1886, trabalhadores americanos foram às ruas exigir a jornada de oito horas. O episódio de Chicago, conhecido como Revolta de Haymarket, tornou-se símbolo da luta trabalhista, mas também marcou o nascimento de uma narrativa: a ideia de que o trabalho é, essencialmente, um campo de disputa.

Quando a Segunda Internacional Socialista em Paris, instituiu o 1º de maio, em 1889, não consagrou apenas uma data, consagrou uma interpretação da história.

 

O Brasil: institucionalizar o conflito

O Brasil adotou essa visão. Oficializou o 1º de maio em 1924 e, sob Getúlio Vargas, transformou a data em instrumento político.

A Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943, foi um marco importante. Organizou relações, trouxe proteção, deu forma ao mercado de trabalho.

Mas também consolidou um modelo: o de que cabe ao Estado mediar, arbitrar e, muitas vezes, substituir as dinâmicas naturais entre capital e trabalho.

Criamos instituições para administrar o conflito, não para superá-lo.

 

Os Estados Unidos: uma escolha diferente

Curiosamente, o país onde tudo começou fez outra escolha.

Os Estados Unidos deixaram de lado a memória de Haymarket e criaram o Labor Day, celebrado em setembro. Não é um dia de protesto, mas de valorização.

Ali, o trabalho não é tratado como um problema a ser contido, mas como uma força a ser potencializada.

Não por acaso, foi essa visão que ajudou a construir uma das economias mais dinâmicas do mundo.

Porque quando o trabalho deixa de ser visto como disputa e passa a ser entendido como criação de valor, muda-se tudo: os incentivos, as instituições, as oportunidades.

 

Duas visões, dois destinos

O debate sobre o 1º de maio não é histórico, é atual.

Países que insistem em enxergar o trabalho pela lente do conflito tendem a produzir rigidez, baixa produtividade e crescimento limitado.

Países que enxergam o trabalho como vetor de liberdade econômica tendem a gerar inovação, mobilidade social e prosperidade.

Não é coincidência. É consequência.

 

Conclusão

O 1º de maio nasceu do conflito. Mas insistir em viver dele é uma escolha.

O verdadeiro avanço não está em celebrar a tensão, mas em superá-la.

Adam Smith observou, “o trabalho anual de uma nação é o fundo que originalmente lhe fornece todos os bens necessários e convenientes à vida.”

Ou seja, não é o conflito que gera prosperidade, é o trabalho produtivo, livre e bem alocado.

Enquanto tratarmos o trabalho como um jogo de soma zero, continuaremos distribuindo limites.

Quando passarmos a tratá-lo como criação de valor, começaremos a gerar riqueza.

No fim, as nações não são moldadas pelo que comemoram,

mas pela forma como escolhem trabalhar.

 

Paulo Garcia