BETO BELLINI
Em tempos de intensa polarização política, é cada vez mais comum que debates importantes sejam contaminados por disputas ideológicas. Infelizmente, a vacinação infantil, uma das maiores conquistas da ciência e da saúde pública na história da humanidade, passou a integrar essa lista.
É fundamental que pais e mães compreendam uma verdade simples: vírus e bactérias não votam, não possuem ideologia e não fazem distinção entre esquerda, direita ou centro. Quando uma criança deixa de ser vacinada, ela fica mais vulnerável a enfermidades potencialmente graves, e toda a comunidade também se torna mais exposta. A vacinação é uma responsabilidade individual, mas seus benefícios são coletivos.
Durante décadas, o Brasil foi referência internacional em imunização. As campanhas de vacinação mobilizavam a população e alcançavam índices exemplares de cobertura. O que importava era a proteção das crianças e o bem-estar da sociedade.
Nos últimos anos, porém, um fenômeno preocupante ganhou força: o negacionismo. Alimentado por informações falsas disseminadas nas redes sociais, teorias conspiratórias e disputas políticas, esse movimento passou a questionar evidências científicas consolidadas há décadas. Em muitos casos, argumentos sem qualquer respaldo técnico passaram a ter mais influência do que o conhecimento acumulado por pesquisadores, médicos e instituições de saúde do mundo inteiro.
As consequências desse comportamento não demoraram a aparecer. O sarampo, por exemplo, voltou a registrar surtos em diferentes regiões após a redução das taxas de vacinação. Doenças que pareciam pertencer apenas aos livros de história voltaram a preocupar autoridades sanitárias.
Existe uma enorme diferença entre fazer perguntas legítimas e rejeitar evidências científicas robustas em favor de boatos ou narrativas políticas. As vacinas passam por rigorosos processos de pesquisa, testes e monitoramento antes de serem disponibilizadas à população.
Pais responsáveis desejam oferecer o melhor para seus filhos. Isso inclui alimentação adequada, educação de qualidade, ambiente seguro e acompanhamento médico. A vacinação faz parte desse conjunto de cuidados essenciais. Não vacinar uma criança significa privá-la de uma proteção construída pelo esforço de gerações de cientistas e profissionais de saúde que dedicaram suas vidas ao combate das doenças.
Que as famílias brasileiras deixem de lado as bandeiras partidárias quando o assunto for vacinação. Que procurem informações em fontes confiáveis e conversem com profissionais de saúde qualificados. E, principalmente, que levem seus filhos para receber as vacinas previstas no calendário oficial. A proteção de uma criança representa também a proteção de toda a comunidade.
Vacinar é um ato de amor, responsabilidade e cidadania. Acima de qualquer ideologia, está o dever de cuidar das futuras gerações. Afinal, a história já provou inúmeras vezes que as vacinas salvam vidas. Ignorar essa realidade não é um posicionamento político; é um risco que a sociedade não pode se dar ao luxo de correr.
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral.
