BETO BELLINI
Em apenas quatro anos, o Brasil passou por uma transformação econômica, política e social significativa. Abril de 2022 e abril de 2026 representam dois momentos bastante distintos da história recente do país: um marcado pela saída turbulenta da pandemia, inflação elevada e forte polarização política; outro caracterizado por desaceleração econômica, juros ainda altos e tentativa de reorganização institucional após anos de tensão.
Abril de 2022 foi um período de forte instabilidade econômica. O país ainda sofria os efeitos da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia, que pressionava os preços internacionais do petróleo, fertilizantes e alimentos.
A inflação era o principal problema do cotidiano brasileiro. O IPCA de abril daquele ano ficou em 1,06% apenas no mês, um patamar muito elevado para os padrões brasileiros. O acumulado em 12 meses ultrapassava os dois dígitos, corroendo o poder de compra das famílias.
Para tentar conter os preços, o Banco Central mantinha uma política agressiva de juros. A taxa Selic já estava em trajetória de alta e operava acima de 11% ao ano, encarecendo crédito, financiamento imobiliário e empréstimos.
O desemprego ainda era elevado, embora começasse a cair lentamente com a reabertura da economia. Muitos trabalhadores estavam na informalidade, e havia sensação de perda de renda, especialmente entre as classes médias urbanas.
Politicamente, abril de 2022 acontecia em meio à campanha presidencial mais polarizada desde a redemocratização. O então presidente Jair Bolsonaro buscava a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva. O debate público era dominado por temas ideológicos, ataques institucionais e desconfiança em relação ao processo eleitoral.
Ao mesmo tempo, o governo federal apostava em medidas de estímulo ao consumo, como redução de impostos sobre combustíveis e ampliação de programas sociais, tentando aliviar os efeitos da inflação sobre a população.
Socialmente, o país ainda carregava marcas profundas da pandemia: aumento da pobreza, insegurança alimentar e dificuldades educacionais causadas pelo longo período de escolas fechadas.
Quatro anos depois, o cenário é diferente. Em abril de 2026, a inflação continua sendo preocupação, mas em patamar muito menor do que em 2022. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em torno de 4,39%.
Apesar disso, os juros seguem elevados. A taxa Selic está próxima de 14,5% ao ano, reflexo da preocupação persistente do Banco Central com o controle inflacionário e das incertezas internacionais relacionadas à energia e ao petróleo. A grande diferença em relação a 2022 é que o problema central deixou de ser a explosão inflacionária e passou a ser a desaceleração econômica. O crescimento do PIB brasileiro perdeu força em 2025 e segue moderado em 2026. O mercado projeta expansão próxima de 1,8% no ano.
Mesmo assim, o mercado de trabalho apresenta situação melhor do que a observada quatro anos antes. O desemprego está relativamente baixo, sustentado principalmente pelo setor de serviços e pela expansão do agronegócio. Contudo, persistem problemas estruturais, como informalidade e baixa produtividade.
A trajetória desses quatro anos mostra como a economia brasileira continua profundamente influenciada por fatores políticos, sociais e internacionais — e como estabilidade institucional, confiança econômica e renda da população seguem interligadas no futuro do país.
Gilberto César Ortolan Bellini, mestre em Administração, professor da Fatec Sertãozinho e Unip RP, membro da ASEL - Academia Sertanezina de Letras - e da Rabugentos Cia Teatral. A Fatec está com inscrições abertas para o processo seletivo. Acesse https://vestibular.fatec.sp.gov.br
