UPA - Pacientes da região aprovam atendimento da saúde em Sertãozinho

Número cada vez maior de pacientes de cidades vizinhas sendo atendido nas UBS de Sertãozinho faz com que prefeitura pense em cobrar do SUS e do Estado um repasse maior de verbas
14/09/2015

FERNANDO LAURENTI

LENA AGUILARdo qu

 

Nesta semana a reportagem do Jornal Agora acompanhou as pessoas, que moram na região e vêm para Sertãozinho cuidar da saúde, principalmente em casos de emergências e que são atendidas pela Unidade de Pronto Atendimento de acordo com o SUS (Sistema Único de Saúde).

O atendimento de urgência da UPA ou das consultas agendadas com especialistas nas UBS não fica limitado a pessoas da cidade de Sertãozinho. O atendimento da saúde na região é precário e tem deixado a desejar, e com isso muitos moradores de cidades vizinhas estão migrando para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sertãozinho. No desespero de serem atendidos prontamente, muitos pacientes têm até fornecido documentação falsa, como por exemplo, o endereço de parentes, amigos e até de pessoas desconhecidas. Apesar disso, moradores da região aprovam e elogiam o atendimento do sistema de saúde do Município.

FALA POVO

Douglas Rodrigues, 23, é operador de máquinas e há uma semana sofreu um acidente jogando bola, lesionando três tendões do pé direito. Foi socorrido, levado para a UPA e encaminhado à Santa Casa. Agora está frequentando a UPA em virtude dos retornos e curativos.

“Precisei ir na UPA e fui bem atendido, sou de Barrinha. Na minha cidade o atendimento de saúde ainda não está bom. Há apenas postinhos e um hospital que não está bem estruturado. Sempre quando ocorre um caso de emergência, o paciente é encaminhado para Sertãozinho, porque tem mais estrutura e especialidades, além do pronto atendimento ser mais rápido. Hoje vim de ambulância, mas como há muita demora da ambulância da minha cidade, vou voltar de ônibus”, prefere Douglas.

A trabalhadora rural Marcia Moraes, 31, é moradora da cidade de Pontal, passou pela UPA e foi encaminhada ao Ambulatório Municipal de Ortopedia. A pontalense disse que chegou de ambulância, foi muito bem atendida pelos serviços de saúde em Sertãozinho e voltou também de ambulância. Mas nesta semana, como foi apenas retorno, irá voltar de ônibus por causa da demora das ambulâncias em sua cidade. “Moro em Pontal e lá não tem um atendimento como existe por aqui. Em minha cidade só tem postinhos. Precisamos ter uma UPA em Pontal, vai ser uma grande conquista”, afirma Marcia.

A doméstica Sandra Raymundo da Silva, moradora em Pradópolis, estava na rodoviária de Sertãozinho esperando a filha Francielle que mora em Barrinha para ir à UPA, por causa dos retornos que a moça sofreu num acidente de moto, há um mês.

“Depois do acidente e das cirurgias que minha filha teve de passar, ainda estamos frequentando a UPA por causa dos retornos de curativos e outros procedimentos. Fomos muito bem atendidas pelo pronto atendimento aqui em Sertãozinho. Questão de emergência, hoje, penso UPA. É lá que vou!”, compara Sandra, que completa: “Na minha cidade há apenas postinhos e na cidade onde minha filha reside também só tem postinhos. A saúde ainda não evoluiu como aqui. Não tem para onde correr, pelo menos em Sertãozinho tem a UPA”.

Já para o jovem que atua no comércio de Barrinha, Francisco dos Santos, 23, achou o atendimento da UPA rápido por morar em outra cidade. “Tive que correr com minha esposa para a UPA – viemos e voltamos de ambulância. Foi muito rápido o atendimento. Na minha cidade já tem promessa de se fazer uma UPA, mas até agora o prefeito só conseguiu o SAMU, do resto a saúde está sem estrutura. Eles mandam a gente ou para Sertãozinho ou para Ribeirão, pois Barrinha só tem postinhos. Tudo que você pensar em termos de saúde lá não tem”, finaliza.

MIGRAÇÃO

O que mais chama a atenção nas palavras do jovem de Barrinha (Douglas) e dos outros pacientes da região, quando eles falam das ambulâncias das cidades vizinhas que os trouxeram para serem atendidos em Sertãozinho na UPA, vale como um recado à Direção Regional de Saúde e aos órgãos responsáveis de analisarem e fazerem o repasse financeiro ao município que está atendendo os pacientes de outras cidades, municípios que recebem o recurso do SUS e não atendem bem seus munícipes, diferente do que acontece em Sertãozinho.

O município de Sertãozinho sofre como os outros municípios com a queda de arrecadação e com um agravante: as demissões de trabalhadores e os valores dos planos de saúde têm feito muitas pessoas migraram para o atendimento público, segundo informações da Secretaria de Saúde. O aumento nos atendimentos foi aproximado de 30%. Com esses números, fica claro que há uma sobrecarga na rede municipal de saúde e a lei obriga um investimento de no mínimo 15% do orçamento municipal na saúde pública. Hoje, Sertãozinho investe 17% a mais do que determina a lei, a cidade gasta em torno de 27% do seu orçamento em saúde.

O Jornal Agora foi saber da secretária de Saúde de Sertãozinho, Rita Montenegro, alguns detalhes sobre o atendimento na cidade.

Jornal Agora - Qual é o número de pessoas atendidas, mensalmente, pelo sistema de pronto atendimento, atualmente realizado pela UPA do município?

        Rita Montenegro: A média diária de atendimentos de urgência e emergência, realizados no Pronto Atendimento do município, é de 450 casos, que perfazem um total aproximado de 13.500 pronto atendimentos por mês.

Jornal Agora - Há dados do número de pessoas de outras cidades que são atendidas pelo sistema de saúde do município de Sertãozinho?

Rita Montenegro: - O atendimento da UPA é feito com exclusividade para os sertanezinos. O SUS tem dentro de seus princípios a universalidade, mas cada município recebe recursos para atender seus munícipes. Sertãozinho é referência regional em atendimentos hospitalares de alta complexidade e, por isso, atende pessoas da região, em casos bastante específicos.

Porém, nós sabemos que há alguns casos de pessoas que vêm ser consultadas em algumas UBS e acabam fornecendo endereços de terceiros.

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