Mesa diretora não renova acordo de transmissão com a STZ TV

Mesa diretora não renova acordo de transmissão com a STZ TV
21/05/2019

Após uma década, a STZ TV deixou de transmitir as sessões da Câmara Municipal de Sertãozinho. O contrato entre a Fundação Cultural Educacional "Eduardo Toniello" e a Câmara Municipal terminou no último dia 8 de maio.

Depois de várias reuniões entre o presidente da Câmara de Vereadores, Lúcio Martins de Freitas e a diretora da STZ TV, Rita Tonielo, na sede da emissora, não se chegou a um acordo.

De acordo com a diretora Rita Tonielo, a todo momento a emissora esteve aberta a negociação e a falta de acordo não foi responsabilidade da TV.

"Gostaria de deixar muito claro que quem não quis foi o Presidente, quem dificultou foi ele. Nós vinhamos conversando desde o dia 10 abril e ele sempre quis diminuir, abaixar e criar problemas. Em nenhum momento eu cogitei em não fazer o que ele me pediu, mas ele queria diminuir o valor e aumentar os serviços, então propus chegarmos a um acordo. Tenho vontade sim de continuar com a transmissão", explica Rita Tonielo.

Sobre a existência do projeto TV Câmara, a diretora deixa claro que tem conhecimento da ideia da instalação da emissora, mas que estranhou a pressa em colocar o projeto em execução.

"Eu sei que vai ter o canal Câmara, que já existe, mas não se monta um canal de TV rapidamente, tem que ter cautela, ser cuidadoso, seguir um processo licitatório. Eu o atendi mais de cinco vezes, a todo momento deixei claro que faria melhorias e daria o meu melhor. Inclusive lá na Câmara, depois que caiu o telhado, eles mexeram nos fios e em todos os equipamentos, nós teríamos que reformular tudo, mas como fazer isso sem dinheiro e diminuindo ainda o valor a ser pago? Fui muito cautelosa e garanto que sempre quis fazer o melhor e também ficamos surpresos com isso. Estou à disposição, assim como o atendi várias vezes, estou sempre aqui para o que precisar. Nunca tive problema com nenhuma negociação, com nenhum dos presidentes anteriores, esse problema só aconteceu agora com a atual presidência", destaca.

Nas redes sociais, foram vários os comentários negativos em relação a decisão tomada pela mesa diretora da Câmara Municipal. Em grupos de discussão no Facebook, alguns munícipes lamentaram o fim do contrato. "Lamentável não ter dinheiro para renovar o contrato com a STZ", escreveu o munícipe Lourival Lima.

"Não queremos plantação de árvores, não queremos investimento em peixinhos, não queremos bancar viagens principalmente em um sábado incluindo visitas a bares, mas queremos ter acesso às sessões da Câmara Municipal, e disto não podemos ser privados", cobrou Simone Lopes.

"Quanta incompetência em um só lugar isso chega a ser vergonhoso", ressaltou Joel Almeida.

Outra postagem revela que o fim das transmissões em canal aberto prejudicou parte da população mais carente que não possui internet rápida para acompanhar as Sessões através do Youtube. "O pobre que não tem condições de ter uma internet boa é que se ferra mais uma vez. O senhor presidente da câmara só pensa no próprio nariz e na TV que ele quer fazer para gastar mais dinheiro público", opinou Rafael Mussa Mussa.

"Eu não quero meu dinheiro em uma TV Câmara! Já sabemos o final dessa história! Vai ser igual a 'radia'. Mesa diretora renove o contrato com a STZ! Meu dinheiro não é para usufruto de poucos", diz Liliane Carvalho.

Mesmo diante das cobranças, o Presidente da Câmara Municipal, o vereador Lúcio Martins de Freitas, durante seu programa de Rádio se limitou a defender, apesar do gasto elevado inicial, a implantação da TV Câmara. Para ele os valores negociados juntamente com a direção da STZ TV foram justos. "Em 2010, o valor do contrato com a STZ TV era de R$ 39 mil por mês. Depois, em 2015, foi para R$ 41 mil mensais e, em 2017, houve uma redução para R$ 30 mil mensais. Nós insistimos em, pelo menos, R$ 25 mil mensais e, também, não foi aceito. O prazo foi se esgotando até que chegou o último dia e, sem perspectiva de acordo, o contrato foi cancelado", destacou Lúcio Martins de Freitas.

De acordo com informações obtidas pelo Jornal Agora Sertãozinho e Região, atualmente, para implantação da TV Câmara, seria necessário um investimento inicial de pelo menos R$ 2 milhões de reais, valor este que englobaria a compra de equipamentos, sendo necessária ainda a contratação de profissionais para atuar no canal.

Uma outra proposta que estaria sendo estudada nos bastidores, é a contratação de uma empresa especializada, dispensando licitação o que é ilegal. Essa empresa poderia realizar o serviço de forma mais rápida. Os valores supostamente envolvidos seriam de R$ 25 mil para aluguel de equipamentos, pagos mensalmente, além da instalação de uma torre de transmissão que custaria aproximadamente R$ 40 mil além do pagamento de aluguel do local, uma chácara, onde essa torre seria instalada, o que giraria em torno de R$ 5 mil reais por mês. Caso as informações se concretizem, os valores gastos seriam superiores ao investimento em um novo contrato com a emissora local, pelo período de 10 meses.

Em seu programa na Rádio Comunitária FM desta sexta-feira (17), Lúcio Martins de Freitas tentou explicar os valores que supostamente a Câmara poderá economizar com a implantação da "TV Câmara". A explicação, porém, não destaca de quanto seria o investimento inicial da Câmara de Vereadores e nem os valores reais envolvidos na aquisição de equipamentos além do gasto com pessoal.

"Se você somar R$ 30 mil por mês, vai dar mais de R$ 300 mil por ano, dá para colocar a TV Câmara no ar. Aí depois a TV Câmara vai ficar de R$ 10 mil a no máximo R$ 18 mil por mês. Quer dizer que vamos economizar R$ 12 mil e vamos ter ela 24h no ar, então o presidente está pensando nessas coisas", disse Lúcio em seu programa.

 

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