Dra Rita apresenta a história de Gilza: a grávida que enfrentou um câncer durante a gestação

Dra Rita apresenta a história de Gilza: a grávida que enfrentou um câncer durante a gestação
13/01/2020

Essa semana a apresentadora Rita Tonielo, a “Dra Rita” traz a história de perseverança e fé de Gilza Olioti, uma mulher que enfrentou um câncer durante a gestação.

A luta de Gilza começou em maio de 2018, durante um exame pré-natal realizado na 17ª semana de gravidez, quando ela foi diagnosticada com um tumor no colo do útero medindo seis centímetros de diâmetro.

Devido à gravidade do caso, os médicos a alertaram de que a interrupção da gravidez era algo permitido por lei e que, caso ela decidisse pelo aborto, poderia iniciar imediatamente o tratamento para aquele severo tipo de câncer.

Porém, mesmo ciente de que sua condição envolvia um grande risco de morte, Gilza seguiu com a gestação e, apegada à fé, iniciou um tratamento que, devido às sessões de quimioterapia, poderia causar sequelas como cegueira ou malformação de membros do bebê.

 

O parto e o tratamento

A pequena Maria Júlia chegou ao mundo no dia 11 de setembro de 2018, por meio de uma cesárea e mesmo prematura, não apresentou nenhum problema de saúde. “A gente fez o parto com 31 semanas. Maria Júlia nasceu com um quilo e 400 gramas, ela ficou 1 mês no hospital para ganhar peso, mas nasceu superbem, não precisava de aparelho para respirar”, revelou Gilza durante entrevista ao Programa Dra Rita na TV.

Após o nascimento da filha, Gilza, enfim, pode então iniciar um tratamento mais agressivo com sessões de radioterapia e braquiterapia. Mesmo com os procedimentos, a doença avançou e os médicos descobriram que o câncer já havia avançado para o ureter (canal que faz parte do aparelho urinário ligando os rins à bexiga). Como a doença de Gilza foi dada como incurável, os especialistas que a tratavam alegaram que não era possível recorrer a nenhum tipo de cirurgia, e que daquele momento em diante ela deveria seguir apenas com sessões de quimioterapia paliativa que impediriam o crescimento de seu tumor.

“Normalmente com a radioterapia e a braquioterapia, a tendência é o tumor desaparecer ou diminuir, no meu caso, não aconteceu nem uma coisa e nem outra. Pelo contrário, meu tumor continuava crescendo, por isso, tive que voltar a fazer a quimioterapia e, aí em alguns exames, os médicos falaram que não dava mais para fazer cirurgia”, relata.

Ciente de seu quadro e afetada pelo tratamento que lhe causava fraqueza e dores por todo o corpo, Gilza decidiu parar com as sessões de quimioterapia e, assim, poder se dedicar mais à sua bebê.

“Meu corpo já não estava aguentando mais eu só ficava na cama, eu não conseguia mais pegar a Maria Júlia. Não conseguia sair com ela, ficava só deitada, não comia direito, então optei por parar a quimioterapia porque eu não sabia se era o tumor que estava me matando ou se era a quimioterapia de tão debilitada que eu estava. Preferi parar a quimioterapia para eu conseguir me recuperar um pouco e conseguir ter uma qualidade de vida um pouquinho melhor com a minha filha”, explica Gilza.

 

Outro diagnóstico

 

No início de setembro, um grupo de amigas se reuniu para conseguir que ela fosse novamente avaliada por um outro especialista e, após novos exames do útero e da bexiga e análise de seu quadro clínico, o médico disse que a realização de uma cirurgia para a retirada do tumor, do útero e da bexiga, seria possível e poderia lhe curar.

“Procurei um médico de Barretos que foi indicação de um amigo. Ele me falou que eu precisava fazer alguns exames e, dependendo do resultado, a gente poderia fazer alguma coisa. No mesmo dia eu fiz os exames e, na semana seguinte, voltei em Barretos. Lá o médico me disse que dava para fazer uma cirurgia para retirar o tumor”, revela.

O procedimento, porém, exigia urgência e Gilza não poderia entrar na fila de espera de um hospital beneficente ou do sistema público de saúde. Sem recursos para arcar com os R$ 100 mil previstos para a realização de uma cirurgia particular, Gilza e o marido Júlio César foram motivados por amigos a criar uma “vaquinha” virtual destinada a conseguir doações em dinheiro e, em menos de quinze dias, eles arrecadaram o valor necessário.

No dia 27 de outubro de 2019, Gilza passou por um procedimento de alta complexidade denominado Exenteração Pélvica. A cirurgia, que durou sete horas, contou com apoio de um robô de última geração e é a primeira cirurgia ginecológica robotizada realizada em Ribeirão Preto.

Hoje curada, Gilza segue sendo um exemplo de superação e fé para várias pessoas. Ela faz questão de contar sua história e mostra que é importante lutar pela vida.

“Eu recebo mensagens de pessoas que eu nunca vi. Pessoas de fora do país, pessoas que estão vivendo que eu vivi, ou que então tem algum parente que passou pelo câncer ou que está passando. Eu faço questão de fazer isso, motivar mesmo as pessoas porque às vezes a gente pensa em desistir, o que é normal, a gente não tem mais força para continuar, então a gente precisa encontrar alguma coisa para tirar a força para dar continuidade. O câncer hoje não é mais sentença de morte, a gente tem que encontrar um motivo para viver e meus filhos e meu marido são os responsáveis por eu estar aqui hoje”, finaliza.

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