CRISE SEM FIM - Dedini, a maior fábrica de usinas de açúcar e álcool do Brasil pede Recuperação Judicial

O grupo brasileiro Dedini, tradicional fabricante de equipamentos para as usinas de cana-de-açúcar e uma das maiores do segmento do mundo, entrou com um pedido de Recuperação Judicial no fórum de Piracicaba.
31/08/2015

Fernando Laurenti

 

Cada dia as coisas vão se complicando mais. Se não bastasse a crise financeira internacional de 2008, que refletiu diretamente na economia local, agora aprofunda a crise financeira e política do Brasil. Para piorar, já estamos vivendo há algum tempo a crise do setor sucroalcooleiro. O setor sofre com o setor econômico, com as questões climáticas e baixos preços na hora de vender os produtos derivados da cana, sem falar que o atual governo priorizou os combustíveis fósseis, esquecendo os investimentos no setor de combustíveis renováveis.      

O grupo brasileiro Dedini, tradicional fabricante de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar e uma das maiores do segmento no mundo, entrou com um pedido de Recuperação Judicial no Fórum de Piracicaba, em São Paulo, na segunda-feira. O passivo total da empresa é de cerca de R$ 300 milhões e entre os credores estão bancos, trabalhadores, fornecedores e fisco.

O advogado Júlio Mandel, do escritório Mandel Advocacia, está à frente do processo e diz que a opção pela Recuperação Judicial foi feita para evitar que um pedido de falência de um fornecedor prospere. No processo de recuperação, Mandel pediu urgência na análise da Justiça para tentar evitar que a companhia quebre. Com a recuperação, a empresa terá um prazo de 180 dias para negociar com credores, sem que qualquer cobrança possa ser feita.

Os dados de 2014 do balanço da companhia e suas empresas controladas mostram que a situação é preocupante. Seu passivo de curto prazo somava ao fim do ano passado R$ 1,25 bilhão, enquanto o que tinha a receber era inferior a R$ 200 milhões. O prejuízo registrado foi de R$ 241 milhões, se acumulando ao longo dos últimos anos em cerca de R$ 780 milhões.

A situação financeira da empresa vem se deteriorando desde o fim de 2008, com a crise financeira mundial, que coincidiu com a crise do setor sucroalcooleiro no país. A empresa estava em seu auge naquele ano e chegou a faturar R$ 2,1 bilhões.

De lá para cá, a queda nas vendas foi sistemática. Entre 2008 e 2010, a inadimplência de clientes chegou a R$ 270 milhões e foram cancelados contratos de R$ 562 milhões. O resultado é que, no ano passado, o faturamento caiu 80% e chegou a R$ 380 milhões.

No primeiro semestre de 2015, segundo informa o processo, o volume de vendas caiu ainda mais. A empresa declara no documento ter registrado "uma queda forte".

Capacidade ociosa

Com a crise no setor de etanol, a companhia enfrenta ainda alta ociosidade em sua capacidade de produção. Suas fábricas espalhadas por Piracicaba, Sertãozinho, Maceió e Recife têm capacidade de produzir equipamentos para montar 12 usinas de açúcar e álcool por ano. Mas hoje ainda enfrenta a inadimplência de clientes, que é de R$ 89 milhões. O custo tributário também pesa e a empresa diz precisar de um parcelamento para colocar as contas em ordem. Os bancos se fecharam para a companhia, que, há alguns anos, sofre com a falta de seu principal financiador, o BVA - liquidado pelo Banco Central.

Além disso, já há alguns meses a relação com os funcionários se deteriorou. Greves e paralisações têm sido comuns por causa de atrasos nos pagamentos dos salários e depósitos do FGTS e ainda pelas demissões que a empresa vem realizando. A Dedini explica que "vem fazendo uma triste, mas necessária, redução de seu quadro de colaboradores. Outras reduções de custo já vêm sendo planejadas e adotadas", diz a empresa no processo judicial.

(Fonte Agência Estado, Josette Goulart)

Na última quinta feira, 27, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Samuel Marqueti, foi até a cidade de  Piracicaba se reunir com os diretores da empresa e demais sindicalistas ligados aos trabalhadores deste grupo. A reunião foi para tentar buscar uma resposta sobre as dificuldades que estão passando os funcionários que foram demitidos e também sobre a situação em que estão vivendo os atuais colaboradores do Grupo Dedini. O Sindicato foi cobrar os salários atrasados e com a atual situação apresentada de Recuperação Judicial, esta reunião serviu também para colocar na mesa todos os detalhes do futuro da Dedini, principalmente em nossa cidade, já que rumores sempre existiram de que esta filial em Sertãozinho poderia ser fechada.

Tentamos um contato com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho. Samuel Marqueti, mas até o fechamento desta edição não obtivemos êxitos.