Jose Theodoro dos Santos
Vera Ferrante
Jose Theodoro dos Santos
Foto:
José Theodoro com gravador, ferramenta de trabalho

Enganam-se quem pensa que ele aqui chegou com um circo.

Nascido em Sertãozinho, no dia 6 de julho de 1929, era filho de Benedito Theodoro dos Santos e Ana Theodoro dos Santos, e seu pai morou por muitos anos na esquina das ruas Voluntário Otto Gomes Martins e Frederico Ozanan, ao lado de onde armavam-se circo e parques de diversões. Não se sabe o motivo, mas ele foi criado por Dona Jovita, pessoa muito conhecida em Sertãozinho naquela época, e passou parte de sua adolescência e de sua juventude viajando com um circo - que era a sua paixão.

De volta para sua terra natal, José Theodoro pode externar sua cultura e criatividade transformando em arte a difícil arte de viver.

Ele escreveu muitas poesias, textos para teatro, foi ator de Iaia Boneca, peça premiada na cidade de São Paulo, e atuou ao lado de consagrados nomes do teatro sertanezino e regional. Pertenceu a vários grupos teatrais, inclusive ao Grêmio Dramático Rui Barbosa, tendo também ao seu lado Lucas Bataglia, Olympia Faria de Aguiar Adami e do ator e diretor de teatro Américo de Souza.

Casou-se aos 40 anos com Antonia Prizon e tiveram os filhos André Luís, funcionário da Secretaria Municipal Educação e Cultura de Sertãozinho, e Maria Paula, biomédica casada com Otávio José Correa e reside em Uberaba (MG), onde leciona Biologia e tem filhos Helena, com 5 anos, e Tales, com 4.

José Theodoro foi funcionário do Banco Mercantil de São Paulo em nossa cidade e sempre teve fascínio pela comunicação. Foi o melhor repórter, de sua época, na antiga Rádio ZYR 66 de Sertãozinho. Todos os políticos, autoridades e pessoas importantes que vieram a Sertãozinho foram entrevistados por ele. Suas perguntas eram objetivas e nunca ficou uma pergunta por fazer ou sem resposta.

Portador de uma deficiência física, mas isso nunca foi motivo para que José Theodoro fosse tratado com indiferença ou diferente. Ele era admirado por inúmeras qualidades. Tinha o dom da oratória. Formou-se em contabilidade e em direito, em 1974 pela Unaerp, tendo como colegas de formatura Nelzio Antonio Papa e Osvaldo Seron, mas nunca trabalhou nessa profissão. Foi Oficial de Justiça e funcionário concursado do antigo Posto Fiscal Estadual. E outros segmentos da sociedade, ele foi Rotariano e Congregado Mariano.

Durante o curso de Direito, José Theodoro fazia muitas pesquisas para seus estudos e registrava tudo com sua máquina de datilografia e depois xerocava e vendia aos colegas e as publicava em suas páginas de jornais onde era correspondente. Sua família tem guardado um caderno com muitas poesias, sendo algumas de sua autoria e outras que ele recebia das fãs de seu programa de rádio.

O mês de maio era esperado, pelas mães sertanezinas, para ouvir, pelo rádio, a poesia que ele fazia em homenagem a elas.

José Theodoro sempre teve lugar de destaque na imprensa escrita. Escreveu para os jornais O Monitor e para ribeirão-pretanos O Diário da Manhã e O Diário, onde mantinha um jornal especifico para Sertãozinho, que circulava aos domingos.

Até hoje José Theodoro é uma referência nos meios de comunicação. É dele o jargão “Urna por urna, voto por voto, emoção por emoção”, que é usado até hoje por alguns radialistas durante as apurações de eleições. Com essas palavras, ele conseguia com que 100% dos rádios da cidade ficassem sintonizados na ZYR 66 e com a atenção voltadas para quando ele entrava no ar.

Tudo que ele falava tinha credibilidade. Quando ele transitava nas ruas da cidade, ia cumprimentando a todos. E as pessoas se sentiam orgulhosas em ter tido a atenção dele.

Zé Theodoro, como era carinhosamente conhecido, foi profissional exemplar e copiado na imprensa escrita e falada, mas isso não tirou dele a sensibilidade de homem.

Embora nunca fosse candidato a nenhum cargo eletivo, ele sempre esteve envolvido com todos os candidatos. Poderia até ter divergências políticas, mas nunca teve inimigos em nenhum segmento da nossa sociedade.

Faleceu em 1978, quando trabalhava no Fórum de Sertãozinho, aos 48 anos, deixando a esposa e dois filhos, e também muitos amigos, admiradores, leitores e seguidores.

José Theodoro dos Santos, ou melhor, Zé Theodoro foi uma referência em Sertãozinho, e hoje faz parte da história da cidade onde ele nasceu e que amou.

 
 
Sertãozinho, 08 de Setembro de 2010